Durante décadas, a Calheta habituou-se a crescer com os olhos postos noutras latitudes porque era de lá que vinham os exemplos. Sem euforias fáceis, sem anúncios grandiosos que não resistem ao tempo. Talvez por isso, quando olhamos para o percurso feito sobretudo a partir de 2004, o que se destaca não é um salto súbito, mas uma linha de progresso contínua, consistente, construída passo a passo. Um caminho que hoje nos permite fazer uma pergunta simples, quase desconcertante para alguns: porque não?

Hoje falo de cultura. Não por ser um luxo, mas porque é um dos sinais mais claros da maturidade. A cultura não surge do nada, nem se impõe por decreto. Constrói-se com persistência, com visão e, acima de tudo, com a capacidade de contrariar a ideia cómoda de que “aqui isso não resulta”. Durante muito tempo, a oferta cultural na Madeira esteve excessivamente concentrada. O acesso a exposições, espetáculos, concertos ou residências artísticas parecia reservado a um eixo limitado, como se o resto da Região estivesse condenado a assistir à distância.