A Nersant defendeu hoje que o investimento de 500 milhões de euros da Lufthansa numa escola de pilotos em Tancos deve criar oportunidades para as empresas da região, exigindo articulação institucional para potenciar os benefícios económicos.

"O desafio não é apenas atrair investimento, mas garantir que o tecido empresarial da região dispõe de condições para participar nas oportunidades que dele possam resultar", refere a Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant), em comunicado.

A associação, com sede em Torres Novas, considera que o projeto previsto para Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, poderá reforçar a atratividade económica do Médio Tejo, estimular a criação de emprego qualificado e promover a formação especializada e a inovação.

Para a Nersant, o impacto do investimento anunciado pelo Governo, no âmbito da privatização parcial da TAP, deverá ultrapassar a atividade diretamente associada à escola de pilotos, criando oportunidades para empresas dos setores da indústria, logística, tecnologia e serviços.

A associação defende que as empresas da região devem ter condições para integrar novas cadeias de valor associadas ao setor aeronáutico, aproveitando a capacidade industrial, o conhecimento existente e a localização estratégica do Médio Tejo.

Neste sentido, considera fundamental a articulação entre o Governo, municípios, instituições de ensino e agentes económicos, de forma a promover uma resposta conjunta às necessidades de qualificação profissional, inovação e desenvolvimento empresarial.

A Nersant, que terminou 2025 com 3.208 associados, manifesta disponibilidade para mobilizar o tecido empresarial e participar numa estratégia regional que permita transformar o investimento previsto em atividade económica, emprego qualificado e crescimento duradouro.

"O verdadeiro impacto de um investimento mede-se também pelas oportunidades que cria para as empresas, para as pessoas e para o futuro da região", sublinha a associação empresarial.

O investimento anunciado pelo Governo na semana passada prevê a instalação de uma escola de pilotos do grupo Lufthansa no aeródromo militar de Tancos, com a criação de cerca de 200 postos de trabalho e uma contribuição pública de 50 milhões de euros para a requalificação da pista.

A infraestrutura deverá permitir utilizações civis e militares, mantendo a atividade operacional do Exército, estando a entrada em funcionamento da escola prevista para 2029 ou 2030.

O projeto já mereceu o apoio da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, que defendeu o aproveitamento da infraestrutura para outras atividades aeronáuticas, nomeadamente manutenção, formação e logística.

Também o PS de Santarém propôs a criação de um grupo de acompanhamento dos investimentos regionais, defendendo reforços na habitação, acessibilidades e serviços públicos, enquanto o Chega considerou que a escola poderá constituir o ponto de partida para um polo aeronáutico no Médio Tejo.

Em sentido contrário, a CIM do Baixo Alentejo contestou a escolha de Tancos, defendendo que o investimento deveria ser direcionado para o Aeroporto de Beja.