O deputado não inscrito à Assembleia Legislativa da Madeira, Miguel Castro, manifesta-se contra o aumento da taxa turística municipal do Porto Santo de dois para quatro euros por pessoa e por dormida, considerando que a duplicação poderá prejudicar a competitividade do destino e agravar as dificuldades sentidas pelos empresários locais.

Em nota de imprensa divulgada hoje, conta que esteve em contacto com comerciantes e empresários da ilha durante o fim de semana, tendo recolhido preocupações, em particular do sector hoteleiro, sobre os possíveis efeitos da medida na procura turística.

"Enquanto deputado e natural do Porto Santo, não defendo este aumento de 100% da taxa turística", afirma Miguel Castro, que alerta para as condicionantes de um destino marcado pela sazonalidade e pelas limitações das ligações de transporte.

Na perspectiva do parlamentar, o agravamento poderá ter repercussões na hotelaria, na restauração e no comércio local. Miguel Castro considera ainda que os empresários ouvidos não identificam, em locais estratégicos de interesse turístico, um retorno visível que corresponda às receitas arrecadadas pelo município.

Por isso, defende que a Câmara Municipal esclareça os montantes cobrados, a aplicação das receitas, os investimentos concretizados e a fundamentação económico-financeira do aumento anunciado. O deputado apela ao executivo municipal para que recue na subida para quatro euros, ouça os agentes económicos e privilegie investimentos com benefícios concretos para a ilha.

Geoturismo para combater a sazonalidade

Em alternativa, Miguel Castro defende um maior investimento na valorização do património geológico, natural e cultural do Porto Santo, de forma a complementar a atractividade da praia com uma oferta capaz de captar visitantes, estudantes e investigadores durante todo o ano.

O deputado destaca vários locais de interesse científico identificados no inventário regional de geossítios, entre os quais as colunas rochosas do Pico de Ana Ferreira, os arenitos da Fonte da Areia e os recifes de corais fossilizados do Ilhéu da Cal. Refere também os fósseis de algas calcárias com cerca de 14 a 15 milhões de anos existentes no Cabeço das Laranjas, no Ilhéu de Cima.

Para Miguel Castro, estes recursos representam uma oportunidade para reforçar a oferta de geoturismo, através da divulgação do Roteiro da Geodiversidade do Porto Santo, da melhoria da informação nos locais de visita e da criação de experiências de interpretação do património.

O parlamentar propõe igualmente visitas educativas e parcerias com universidades e centros de investigação, respeitando as regras de conservação e de acesso às áreas protegidas.

Na sua perspectiva, a valorização deste património poderá diversificar a procura turística, reduzir a dependência da época alta e criar oportunidades para guias, alojamentos, restaurantes e comerciantes. Para alcançar esse objectivo, considera igualmente essenciais ligações de transporte adequadas e previsíveis ao longo do ano.

Miguel Castro reafirma o apoio aos empresários que trabalham e investem no Porto Santo e defende que as receitas geradas pelo turismo devem traduzir-se em benefícios concretos para a preservação do património, a qualidade da experiência dos visitantes e a economia local.