O painel
de convidados da 11.ª edição das Conferências ‘Inovação e Futuro’, integrada na
temática ‘A Mesa do Amanhã’, terminou esta tarde, na Sala Azul do Casino da
Madeira, com a intervenção descontraída de Carlos Gonçalves, manager do Grupo
Kampo.
Profissional
de hotelaria e restauração há mais de 20 anos, foi chef corporativo do Grupo
Savoy entre 2019 e 2024. Formou-se em Cozinha e Pastelaria na Escola de
Hotelaria e Turismo do Estoril e passou por unidades de referência em Portugal.

Na
sua apresentação, o responsável abordou o passado e o futuro da restauração,
destacando como as preocupações no sector triplicaram ou quadruplicaram em
comparação com o passado.

Durante
a intervenção, foram focados temas como o impacto social, a sustentabilidade e
o cuidado com o planeta, bem como a valorização das equipas, dos clientes e a
adaptação às novas tecnologias e redes sociais.
“Como
vamos alimentar o futuro sem perder o prazer de comer? O desafio está em
conjugar sabor, saúde, acesso, pessoas e planeta. O futuro da alimentação nasce
do equilíbrio entre estas cinco exigências”, disse.

Carlos
Gonçalves sublinhou, por isso, que o mundo mudou consideravelmente e que os
desafios actuais exigem uma nova perspectiva na gestão dos restaurantes.
Admitindo
que, em Junho, começou a notar uma crise na restauração na Madeira, Calos
Gonçalves revelou que a sua empresa vai investir noutros negócios, salientando que
irá apostar numa área de cliente de um nível mais alto e nos clientes com poder
de compra mais baixo, mais acessível, adaptando o produto, ou seja, o serviço
vai ter de ser mais simples: “Vamos adaptar alguns restaurantes à procura”, explicou.
E
falou da necessidade da própria adaptação às novas tendências, como a vegetariana.
Como
empresário, falou do desafio de tornar o bom acessível, sem desvalorizar, o que
é muito difícil, sobretudo devido ao Excel, o que arrancou risos da plateia.
Em termos
de desperdício alimentar, deu o exemplo dos ‘buffet’, como algo que tem um grande
custo, mas que dá boas pontuações dos turistas. O segredo é arranjar
estratégias para levar as pessoas a desperdiçar menos os alimentos.
E realçou
a importância da segurança alimentar, como sendo uma cultura diária e não um
documento na gaveta. E deu como exemplo o uso da IA para melhorar estas áreas.
Em
relação à sustentabilidade, ao conceito em si, disse que é muito difícil tendo
em conta a sua experiência profissional e ao que conhece do sector.
Alertou
ainda para as alterações climáticas e deu como exemplo o facto de este ano, não
ter havido charuteiro (peixe) na Madeira, ideal para a preparação de sashimi (prato
japonês).

“Todos
os dias tem sido diferente para mim”, confessou, ou porque “o mercado mudou”, ou
“houve uma guerra” ou porque aconteceu outra coisa qualquer. “Não sei o que
vamos comer daqui a 10 anos”, assumiu, até porque, conforme diz, as pessoas
estão com ideias muito contraditórias nesta questão. “Da minha parte vou fazer
pelo melhor”, concluiu.
Terminadas
que estão as intervenções desta tarde, segue-se agora um período de apresentação
e demonstração de produtos na parte exterior da Sala Azul do Casino da Madeira.
De referir que esta conferência é organizada pelo DIÁRIO, com patrocínio
da NOS Empresas e da Agência de Inovação e Modernização da RAM, como parceiro
institucional, tendo a Startup Madeira e a OET como ‘knowledge partners’.

