Foi com “alguma
tristeza” que João Carlos Gomes, mandatário regional da candidatura
presidencial de Henrique Gouveia e Melo, reagiu às projecções que colocam o almirante
no quarto lugar, com uma previsão de 11 a 14 por cento dos votos, o que, a
confirmar-se nas urnas, o coloca fora da segunda volta.
Em
declarações prestadas na RTP-Madeira, o representante da candidatura de Gouveia
e Melo assumiu que esperava um melhor resultado, dadas as qualidades do
almirante: “É um homem que tem uma noção do mundo verdadeiramente como ele é.
Tenho pena que essa mensagem não tenha sido transmitida suficientemente e não
tenha chegado essa mensagem aos portugueses da forma como nós queríamos”.
Numa primeira
interpretação dos resultados, João Carlos Gomes lembrou que Gouveia e Melo “partiu
bem” e como favorito nesta corrida eleitoral, porque “também não havia outro” candidato.
“Foi uma candidatura que surgiu muito antes dos outros. Depois foram surgindo
os outros. Claro que o eleitorado foi-se dividindo”, avançou. O mandatário
admitiu que a falta de apoio partidário prejudicou a candidatura. “O almirante
Gouveia e Melo não tinha uma estrutura partidária por trás deles e em Portugal
isso vale muito. Era o único candidato que não era representante de um partido.
Isso vale muito em Portugal. A máquina partidária a funcionar no apoio a um
candidato”, explicou.
João Carlos
Gomes deixou em aberto o seu posicionamento numa segunda volta com António José
Seguro e André Ventura, que é o cenário mais provável. Ainda assim, sublinhou
que nunca votou no Partido Socialista e “em nenhum candidato socialista” na sua
vida. Também deixou claro que nunca votou em André Ventura. Mas sobre este último,
acrescentou: “O Dr. André Ventura é presidente de um partido que foi aceite
pelo Tribunal Constitucional. Portanto, ele tem tanta legitimidade como qualquer
outro para ir à segunda volta e para ganhar ou não ganhar. A vitória dele é
legitimada pelo povo português”.
Por fim, o
mandatário de Gouveia e Melo observou que nestas eleições houve “muito debate,
a comunicação social interveio muito, mas os candidatos pouco ou nada falaram
das regiões autónomas, esquecem-se sempre das regiões autónomas”.

