Neste momento, são cerca de 30 os
doentes que após diagnóstico da hepatite C aguardam a chegada da medicação para
darem início ao tratamento.
Este foi um dos dados
apontados por Vítor Magno Pereira, no âmbito da apresentação dos
resultados do programa FOCUS, um rastreio oportunista para as hepatites B e C,
bem como para o VIH, que decorreu entre 2020 e o ano passado.
Embora, agora, a hepatite C seja
curável, através de um tratamento com a duração de cerca de três meses, o
médico gastrenterologista não deixa de notar os atrasos na disponibilização dos
medicamentos para esse efeito, atrasos que atribui à “burocracia interna”.
“Neste momento, a medicação da
hepatite C não está disponível de forma imediata. Ao contrário da hepatite B e
do HIV, em que a medicação é muito mais célere, a hepatite C ainda tem um
processo de uma plataforma de submissão, que faz atrasar um pouco o início da medicação,
pelo menos na Madeira”, esclareceu o coordenador do programa FOCUS, na Região.
“A legislação, a nível nacional,
foi simplificada, de forma a agilizar o início do tratamento, aqui ainda temos
alguma espera entre a prescrição e o tratamento, mas é algo que estamos a
trabalhar para encurtar”, complementou o médico, notando, que serão cerca de
três dezenas de doentes nesta situação. Com um tempo de espera variável, o clínico
aponta que “para a hepatite C pode levar alguns meses”.
Reportando-se aos mais de 280 doentes
diagnosticados com hepatite B ou C nos últimos quatro anos, na Madeira, o médico
aponta que “a maioria das pessoas já foi tratada ou está em tratamento”,
salientando, ainda assim, que todas as situações estão devidamente encaminhadas
para as especialidades de Gastrenterologia e das Doenças Infecciosas.
Já no que toca ao HIV, de acordo com Nancy Faria, também existe algum hiato temporal entre o dignóstico e o tratamento, que no caso dos doentes identificados no âmbito do programa FOCUS, foi na ordem dos 25 dias, em média (entre 5 e os 83 dias). Neste caso, o atraso não terá sido motivado pela falta de medicação, mas pela demora na legalização dos doentes, já que uma percentagem significativa dos novos casos dizem respeito a cidadãos estrangeiros, um pouco à semelhança com o que acontece no todo nacional.
A infecciologista do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) notou que, a média de idades dos doentes identificados no rastreio promovido pelo FOCUS foi de 42 anos, sendo 19 dos 21 positivos do sexo masculino. O estudo dos casos revelou, ainda, que a via mais comum de transmissão foi a sexual e, dentro desta, a de homens que fazem sexo com homens, reportando-se a 13 situações das 21. Em 85% dos doentes o diagnóstico foi tardio, o que não acontece na generalidade da doença.
