Foram esta sexta-feira apresentados,
no Hospital Dr. Nélio Mendonça, os resultados do programa FOCUS, dedicado ao
rastreio das hepatites virais (B e C) e do HIV. Este modelo baseado na integração
dos testes de despiste na prática clínica de rotina, nomeadamente quando um
utente faz análises de sangue, permitiu identificar 79 infecções activas de
hepatite C, 21 casos de HIV e 47 de hepatite B. O tratamento desses doentes já
está em curso.
No caso particular das hepatites
B e C, e fora do rastreio, foram, também, identificadas outras situações cujos
doentes já apresentavam queixas. Foram mais 160 infecções que se somam, assim,
às mais de 120 detectadas pelo rastreio, totalizando mais de 280 casos diagnosticados nos últimos quatro anos. Um número que Vítor Magno Pereira considera "significativo".
Estes dados foram revelados à margem da sessão que decorreu na sala de
conferências daquela unidade de saúde, dando conta de que, entre outras
análises, cerca de 80% dos casos de hepatite C foram diagnosticados em pessoas
do sexo masculino.
O coordenador do programa FOCUS
realça a importância deste rastreio para a identificação destas doenças, uma
fez que as mesmas começam por ser assintomáticas, facto que não impele os
utentes em causa para um teste de diagnóstico. “Isto são pessoas que eram
completamente assintomáticas, sem qualquer queixa ou suspeição atribuível a
estas patologias, que foram diagnosticadas no âmbito de colherem análises por
outro motivo, quando foram ao seu médico de família, ao serviço de urgência ou
a uma consulta hospitalar. O rastreio permite de forma oportunista adicionar estas
análises a uma colheita de sangue normal e assim chegarmos a um número de
pessoas que por outro motivo não fariam este teste”, notou o médico gastrenterologista.
Vítor Magno Pereira realça que,
no que toca à prevalência, a quantidade de novos casos está em linha com o todo
nacional, enfatizando, ainda assim, a mais-valia destes diagnósticos precoces,
que, de outra forma, “iríamos descobrir só muito mais tarde, quando já houvesse
uma situação de cirrose, cancro do fígado ou necessidade de transplante
hepático”, complicações que são, deste modo, evitadas.
Do total de 158.770 pessoas
abrangidas pelo programa FOCUS, pouco mais de 65.700 foram testadas à hepatite
C, 77.500 ao IHV e 16.070 à hepatite B.
