Já não deverá ser criado no histórico Recolhimento do Bom
Jesus o novo centro de acolhimento nocturno da Diocese do Funchal em parceria
com a Casa de Saúde São João de Deus, o dormitório para a população sem-abrigo
da Madeira que levou à apresentação ao Governo Regional de um abaixo-assinado de
cerca de 300 pessoas, entre moradores e negociantes que estão contra. A procura
de um local alternativo está em marcha, depois de uma reunião na passada
terça-feira entre o Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, e a secretária regional de Inclusão
Social e Cidadania.

Foi a própria Augusta Aguiar a dar conta deste facto, ao
revelar a abertura da Diocese a uma nova localização, estando agora o Executivo
a envidar esforços para encontrar um novo local para acolher esta população
desfavorecida. "(…) reuni, na passada terça-feira, com o Sr. Bispo do Funchal,
D. Nuno Brás, que reiterou a vontade da Diocese em continuar a apoiar projectos
de cariz social, nomeadamente os dirigidos para a população em situação de sem-abrigo,
mas estando receptivo quanto à mudança de localização”, divulgou esta manhã a
secretária ao DIÁRIO. “De diálogos mantidos com a Diocese e demais parceiros,
nomeadamente a Casa de Saúde São João de Deus, ressalve-se o esforço conjunto
para encontrar um espaço alternativo que preencha todos os requisitos
necessários para a implementação do projecto”, acrescentou ainda na reacção enviada
por escrito à notícia ‘Diocese não cede em projecto para sem-abrigo’, publicada
na edição de hoje deste matutino.

Para já Augusta aguiar não adianta qual ou quais os espaços
que estão a ser estudados para a criação desta casa, onde as pessoas que habitualmente
dormem na rua vão poder pernoitar. Nem qual a razão para estar a ser procurada
uma alternativa, nomeadamente se terá algo a ver com a manifestação pública de
descontentamento com a criação desta valência na zona. Certo é que há um
conjunto de exigências a cumprir pelo novo local para que efectivamente seja
uma alternativa ao prédio localizado na Rua do Bom Jesus.

A secretária de Inclusão Social e Cidadania sublinha que os
sem-abrigo são “prioridade em termos da intervenção social do Governo”, tendo neste
sentido sido criado o Plano Regional para a Integração de Pessoas em Situação
de Sem-Abrigo 2018-2022 (PRIPSSA) para uma intervenção interinstitucional
inclusiva e que inclui medidas de prevenção, protecção e integração para este
grupo.