É hora de abrir regos. Hoje na lista do PSD-M às ‘Regionais’, para já incompleta, logo, sujeita a análises posteriores.
A lista dá cobertura a gente polida e com trabalho feito, mas também dá boleia a quem precisa de imunidade. Disfarça realidades confrangedoras, dá representatividade a círculos que a lei eleitoral extinguiu, promove estranhos a elegíveis, contenta clientelas e continua a denotar dependências das quais tentou descolar sem sucesso. Mas sobretudo parte em dois aquilo que nas ‘directas’ era uno e indivisível.
A lista parte da presunção que a ‘maioria absoluta’ está garantida e que a oposição, a solo ou em coligação, não tem trunfos, estratégia e argumentos. Uma sobranceria que envolve sempre riscos, mesmo sabendo que a memória é curta e que a 29 de Março muitos dos eleitores não terão presente quem nos trouxe até aqui.
Salvo honrosas excepções, muito graças aos independentes, nos 20 primeiros, mais do que renovação, a lista do PSD é de recolocação. Ou seja, baralha e dá de novo, mas pretende trazer para um novo ciclo muita da gente de outras andanças e que já fez das suas nas autarquias ou no governo, nos parlamentos ou nas comissões de sítio.
A lista padece de, pelo menos, um equívoco. Se Miguel de Sousa, autor da célebre página publicitária que ridiculariza o discurso de Albuquerque, vai a jogo em nome da lei fiscal, então devia ser nome imprescindível na lista para Assembleia da República. É em São Bento que a pedagogia para tirar os madeirenses do sofrimento prolongado precisa de ser feita, já que o novo PSD-M jurou assumir como seu o propósito fiscal do primeiro delfim de Jardim.
Também padece do mesmo logro do passado. Os eventuais governáveis terão lugar garantido no Parlamento caso o sufrágio dê para o torto. Havia mesmo necessidade de tamanha protecção num partido que se gaba de ter quadros em excesso e de não conseguir contentar todos os valores?
A lista até pode ser inclusiva e imbuída da proclamada “unidade”. Não tinha que compensar os que foram copiosamente derrotados, mas como abriu excepções, há pelo menos 35% da militância que manifestou preferências em Dezembro último e que não está representada.
A lista tem méritos. Tantos que há eternos dirigentes que ainda sonham com um lugar, enquanto outros aguardam com expectativa para ver a que famílias pertencem os que ainda não foram convocados. Os 40 dos 94 candidatos social-democratas entretanto conhecidos dão boas pistas.
Fica para já a sensação que o PSD-M mudou de estilo, mas ainda não se libertou de alguns vícios que o jardinismo cultivou durante anos.