O nosso mundo encerra, cada vez mais, contrastes gritantes que põe a nu a fragilidade do ser humano, hoje submetido a um feroz domínio do económico sobre o social que nos transforma em meros números.

Assistimos ao aumento da pobreza que põe em causa a dignidade da pessoa, causando dor, sofrimento e arruinando famílias.

O Papa Francisco na sua caminhada peregrina em prol dos desprotegidos e dos pobres tem exercido o seu magistério com determinação e com mensagens expressivas do seu elevado humanismo, apelando ao coração dos homens para a necessidade premente de mudança do sistema económico vigente em prol daqueles que efectivamente mais precisam de apoio e ajuda, por forma a esbater-se significativamente as diferenças existentes, tornando a nossa sociedade mais equilibrada e justa do ponto de vista social.

No momento em que tivemos acesso aos dados estatísticos sobre a evolução da pobreza em Portugal, ano de 2013, que regista nova subida, passou de 18,7% em 2012 para 19,5% em 2013,confirma-se o que muitos escreveram sobre o impacto desmedido e despropositado do programa de ajustamento financeiro imposto pela Troika e seus credores.

Os dados são expressivos e não devemos desvalorizá-los por serem de 2013, como lamentavelmente proferiu o Primeiro-Ministro pois não reflectem como se vive hoje, o que é inverdade pois é expectável que em 2014 se registem novos aumentos perante a continuidade das medidas prosseguidas e que para além disso, não será viável, a curto prazo, recuperar-se os danos causados a muitas famílias por estes anos duríssimos de austeridade que destruíram muitos lares e empresas.

Como recentemente proferiu o Santo Padre, «Os direitos humanos são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas económicas injustas que originam as grandes desigualdades», «As crises económicas devem levar a uma reflexão acerca dos novos modelos de desenvolvimento económico e a uma mudança de estilo de vida» e acrescentou «A principal causa da pobreza é um sistema económico que retirou a pessoa do centro e ali colocou o Deus dinheiro».

Mais palavras, para quê.

José Manuel Oliveira