Conceição Pereira Os que nos desgraçam têm sempre um bom lugar à espera, em qualquer parte do mundo, para viverem descansados o resto da vida. Mesmo na nossa região, temos um que passou rapidamente de governante a alto quadro de um banco, com uma licenciatura de Educação Física que, sem desprimor, não tem nada a ver com moeda, finança, economia. O Durão Barroso vem da UE, lugar que ganhou com um salto que deu de governante português para Bruxelas e lá esteve a defender os interesses da finança internacional e a ajudar a desgraçar o povo português e outros povos da Europa. Agora, além das alcavalas chorudas que trouxe consigo pelos “bons serviços”, já tem lugar de professor na U. Católica. Será que ele prestou provas para mostrar o que sabe ou não como tantos professores que têm sido obrigados a passar pelo crivo do Ministério da Educação que desemboca no desemprego? Não! Esses sabem sempre tudo, são licenciados em tudo e têm sempre um lugar cativo à espera.

Mas vamos ao nosso dia a dia. A grande preocupação do momento é o Syriza. Ai o Syriza! Já há quem fale em “tragédia grega”, mas até hoje não me consta que esse senhor se preocupasse minimamente com a tragédia portuguesa, com a tragédia madeirense, com tanta gente na desgraça, pessoas que se suicidam porque não suportam olhar para si próprias e encarar o lugar aonde chegaram!

Neste momento, parece que Angola também entrou em recessão e pode voltar para a Madeira cerca de um milhar de desempregados (há anos vieram retornados). E Angola criou no seu seio a pessoa mais rica de África, a filha do Presidente! Esta ordem financeira mundial cria ricos, mas não riqueza para os povos. É este o drama que estamos a viver.

Felizmente nasceu o Syriza e o povo grego entendeu que deveria unir forças à sua volta para tentar libertar-se do garrote dos troikanos, que estão a mando da finança internacional. E não vale a pena manter a palavra de ordem dos que nos governam: “Portugal não é a Grécia”. Como se a desgraça fosse só na casa dos outros, mas aqui, neste cantinho à beira mar plantado vamos cumprir com os compromissos assumidos com os nossos credores, que fizeram o favor de nos “dar” dinheiro, vamos pagar as nossas dívidas (deles), pobrezinhos, mas honrados... Somos o país do fado, fadinho choradinho.

Mas agora estão todos cheios de medo, os de cá e os de lá, porque o Syryza da Grécia pode servir de exemplo a todos quantos estão a sofrer com a austeridade imposta pela finança internacional. Li uma notícia dizendo que na Croácia os cidadãos se viram livres de uma dívida da noite para o dia; na Irlanda já se fazem manifestações contra a austeridade; na vizinha Espanha o PODEMOS reuniu milhares numa praça de Madrid. Penso que daqui a algum tempo a Espanha terá ter um Governo do PODEMOS, à semelhança do Syryza, na Grécia.

E Portugal? Muda ou não muda? Vamos continuar no “arco do poder” , obediente à finança internacional? E a Madeira como é que vai ficar?

Será que aquela parte de madeirenses vai descolar das pedras, onde permanecem há anos como as lapas do calhau? Já é tempo de aprenderem a ver com os seus próprios olhos, pensar pela sua cabeça, escolher aqueles que têm energia suficiente de enfrentar os corruptos e maus governantes e já provaram que são honestos/as, capazes, fortes e não moles e vira-casacas como tantos outros. PODEMOS VIRAR a situação do outro lado e iniciar um novo caminho que nos leve à decência e à criação de riqueza para todos e não apenas alguns ricos para nos explorarem.

Como escreveu o grande Camões e cantou José Mário Branco “POIS SE TODO O MUNDO É COMPOSTO DE MUDANÇA / TROQUEMOS-LHE AS VOLTAS QUE AINDA O MUNDO É UMA CRIANÇA”.