Os atentados em Paris e o medo de novos atentados enchem as notícias e é difícil manter os mais novos afastados dos acontecimentos. O mundo transforma-se aos seus olhos num sítio assustador e inseguro. Estes acontecimentos põe-nos perante a morte repentina, injusta e sem qualquer explicação lógica. Muitos adultos têm dificuldade em abordar estes temas com as crianças e explicar, por um lado, a razão para as nações usarem armas e participarem na guerra e por outro a importância de defender a não-violência e os valores positivos. Devemos dialogar sobre estes acontecimentos com as crianças, pois ignora-los só vai abrir a porta a fantasias e fazer com que sintam que é um assunto tabu. No entanto não lhes dê mais explicações do que aquelas que elas querem e têm maturidade para receber. Evite termos difíceis e informações chocantes. Uma boa forma de abordar o tema é perguntar o que ouviram e o que acham dos acontecimentos. Respeite se não quiserem falar sobre o assunto, mas deixe a porta aberta ao diálogo. As crianças precisam sentir-se seguras, por isso devemos explicar-lhes que estes ataques são raros, que a maioria dos terroristas já foram apanhados e a probabilidade de vivermos algo semelhante é pequena. Explique que os atentados passaram-se longe do local onde a criança vive e que a grande maioria dos habitantes de Paris continua a fazer a sua vida normal e está a salvo. Fale sobre os meios que a sociedade tem para nos proteger e que todos estão a lutar nesse sentido. Mostre que perante uma catástrofe há mecanismos de ajuda: apoio de outros países, forças de segurança, protecção civil e a sociedade em geral. Não se esqueça que as crianças absorvem as emoções e os valores dos adultos. Cuidado com a mensagem que lhe passa, tanto de ansiedade como de raiva e desejo de retaliação. Em relação às notícias, filtre algumas imagens e comentários mais chocantes e impróprios. Como explicar quem são os terroristas? Pode dizer que são pessoas muito doentes e com formas de ver o mundo e resolver as situações recorrendo à violência com o objectivo de gerar medo e insegurança. Muitos conflitos têm origem em diferenças entre religiões, politicas e culturas e a criança pode culpá-los dos actos, generalizando, mas é importante frisar que a maioria dessas pessoas é contra ações deste tipo e não criar estereótipos. Actos destes não aconteceriam todos respeitassem as diferenças e fossem mais tolerantes. Tenho ouvido adultos e crianças dizerem frases que expressam violência contra países ou religiões. Seja firme na oposição à agressão e práticas xenófobas, caso contrário passamos a mensagem que somos iguais a eles, que generalizamos, avaliamos as pessoas com critérios como nacionalidade ou religião e não nos importamos que haja vitimas inocentes. Diga como podemos contribuir para a paz, que as pessoas “más” são uma minoria e que o mundo repudia estes actos. Mostre imagens de solidariedade para com as vítimas, dê exemplos de pessoas que ajudaram, superaram e sobreviveram através de atitudes nobres e corajosas. Tente focar o seu discurso numa mensagem de tolerância, necessidade de respeitar as diferenças e na resolução de conflitos. Assegure-lhes que o mundo está a fazer um esforço no sentido de haver paz para que acontecimentos destes não se repitam.

Catarina Homem da Costa Psicóloga Clínica