Habituado às coisas de realeza, dada a sua costela monárquica, o que se espera de Miguel Albuquerque é que esteja à altura do presente de reis que recebeu, embrulhado em papel de intriga palaciana.
Traições, juras de amores eternos vindas de aliados recentes, perdões mais ou menos encapotados, há de tudo nesta trama do poder.
Se é verdade que o novo líder do PSD não pode cair na tentação de fazer uma caça às bruxas no seu partido, à semelhança daquela de qual foi vítima, não é menos verdade que muitos que olham de fora (sim, os eleitores) esperam uma purga.
Porque sempre se ouviu à boca pequena por essa Madeira fora que “o problema não é Jardim, é quem está à volta”. E para já, Jardim já foi, aos empurrões, soluços e a bater à porta para voltar a entrar, mas a roda de baile é a mesma.
Não se percebeu o que muda, ainda. Um barco tripulado a ratos, será a prazo, um barco sem tripulação. Basta vir uma tempestade e a rataria desaparece com a mesma velocidade com que se chegou à frente.
Os desafios são muitos, a começar dentro e a acabar fora. Há uma certa aura, normal de quem chegou e promete fazer diferente. A oposição treme, geme, faz queixinhas, mas onde esteve até agora? Que alternativa ofereceu?
Miguel Albuquerque, filho renegado do Jardinismo, tem uma missão hercúlea pela frente, que deve começar em casa.
Termino com uma palavra à liberdade de expressão, que está de luto em todo o Mundo e congratulo-me por viver num local onde ainda possa escrever o que penso sem que isso atente contra a minha vida o de terceiros, ainda que possa trazer outros dissabores. Cabe-nos a todos lutar para que a morte não seja em vão.
Sandra Cardoso