Desde a minha última crónica, o Nacional cumpriu dois jogos. E em dois jogos, muita coisa mudou. Em particular os resultados, que bem podem determinar uma mudança de rumo, mais consentâneo com os pergaminhos do clube e, sobretudo, com o que desejam treinadores, dirigentes e massa associativa. E estes dois momentos, revelaram mais do que uma simples mudança para o caminho do sucesso. Aconteceu mais do que isso! No primeiro, foi testada a capacidade de resistência, a tenacidade e o espírito de equipa, enquanto no segundo, e pela primeira vez nesta Liga, viu-se a capacidade de recuperação a um resultado adverso.

Estes sinais são positivos, mas ainda falta caminho para chegar à excelência ou pelo menos, a uma zona de conforto. Os reforços de Inverno vieram trazer mais qualidade ao plantel e mais soluções para o treinador, mas só jogaram dois jogos. É preciso que esta qualidade se mantenha, a bem da equipa. Seria injusto não referenciar o esforço do clube em trazer Tiago Rodrigues, o Christian e o Luís Aurélio. Os dois primeiros, chegam por empréstimo, contrariando as políticas levadas a cabo pelo clube nos últimos anos. Poderá não ser a melhor aposta em termos de futuro (vamos valorizar o que não é nosso), mas encaixam como uma luva, naquelas que são as necessidades imediatas. De forma particular, os dois primeiros mostraram grande qualidade e foram determinantes para o desfecho dos dois resultados.

Mas, para além de Christian e Tiago Rodrigues, o Nacional apresentou mais três reforços. Luís Aurélio, à semelhança do gémeo João, apresenta um futebol aguerrido e com alma que pode ser importante em certos momentos da equipa. Para além deste, conheceu-se mais dois reforços, que embora estejam desde início da época no plantel, começam agora a despontar. Sempre defendemos a utilização de Rui Correia, para aferirmos da sua qualidade, e o jovem central mostrou segurança e sobretudo bom jogo aéreo, colmatando essa lacuna que é determinante para o sector defensivo. Na frente, Lucas João, apenas surpreendeu quem não conhece o seu valor.

Por tudo isto, é notório que o Nacional está melhor. E por falar em melhor, sempre relembro que “melhor” é um adjetivo, comparativo de superioridade. Ora, sendo comparativo, e transportando para a atualidade futebolística regional, é mais do que obvio que entre Nacional e Marítimo, o Nacional tem sido MELHOR. Se atendermos aos últimos anos, os números não deixam enganar. Nos últimos seis anos, em treze jogos disputados, o Nacional venceu o rival por seis vezes, empatou outros seis e apenas perdeu um jogo. Notoriamente melhores, os “alvi-negros” garantiram ainda a vitória mais desnivelada: 3-0 no mês de Dezembro passado. A par disso, em dez anos, o Nacional ficou por seis vezes à frente do rival, garantindo mais presenças europeias e alcançando um 4º lugar, só alcançável pelos “alvi-negros”. Por tudo isto, a história não mente. Como não mente que Cristiano Ronaldo, eleito ontem o melhor do mundo pela terceira vez, jogou pelo Nacional. E de Santo António, só conheceu o Andorinha. A formação do Nacional, essa também já é considerada, por muitos, a melhor da região e das melhores do país. Domingo, às 9:15, no Cristiano Ronaldo Campus Futebol, o Nacional poderá garantir o título de Juvenis e, logo depois, a formação de iniciados pode recuperar a desvantagem e ultrapassar o rival. Para isso, é preciso o apoio incondicional da massa associativa do Nacional.

Miguel Guarda