Há uma gradação de sensibilidades, há pessoas que se impressionam muito com a sua própria dor e que são completamente indiferentes à dor dos outros, outras impressionam-se em diferentes medidas com a dor dos outros, outras ainda com a dor de outras espécies. A que se puderá dever tão variada predisposição? A meu ver há dois factores, dois interluctores, que influenciam fortemente a nossa concepção e acção, um é a informação, o outro é o egocentrismo, noutro contexto a sabedoria e a ignorância.

Vejamos isto no contexto do impulso para roubar ou enganar ou cometer corrupção. Temos um SUJEITO, quer seja um político uma pessoa vulgar, você, eu, qualquer um. Temos um OBJECTO, quer seja dinheiro, um cargo ou reconhecimento. O egocentrismo encarrega-se imediatamente de classificar o objecto em questão como desejável. Dependendo do diálogo entre o egocentrismo e a informação no sujeito em questão, vamos ter um determinado tipo de ACÇÃO.

Um exemplo concreto: Certa pessoa tem um cargo público com poder de decisão sobre dinheiros públicos. Estão definidos o sujeito e o objecto, vejamos um possível diálogo entre os interluctores Info e Ego.

«Info-Estes dinheiros são públicos e devem ser usados para o bem comum. Ego-Concordo, e tenho amigos em empresas com participação pública que servem bem o bem comum. Info-Estás a falar dos teus amigos de costume, só te iludes a ti próprio, olha que foi por essas tuas opções do passado que muitos estão sem bem algum! Ego-Se as coisas estão como estão não foi devido às minhas opções. Info-Então estás disposto a desta vez abdicar a favor das minhas opções, e que não passam por favorecer amigos, mas por uma ponderação dos impactos a médio e longo curso sobre natureza e humanos e as gerações futuras? Ego-Nunca! Nem vale a pena experimentar, já sei que isso é que seria uma verdadeira catástrofe, não só para mim mas para todos! ...»

Sem dúvida que as decisões e os hábitos do passado influenciam as decisões no presente e futuro, e condicionam fortemente a possibilidade de fazer diferente.

É de notar que nesta noção de informação de que me servi, podem querer contestar o seu aspecto subjectivo associado à ética e/ou à interdependência, considerei isto qualidades nobres da informação que nos deve guiar, omiti-las é desequilibrar a balança a favor do egocentrismo.

De notar ainda que para algumas pessoas o diálogo entre o Ego e a Info pode ser um monólogo...

Rui Almeida - Deputado do PAN na ALM