1 - A situação é de leitura muito simples: se a Segurança Social deixou acumular um calote de 16 milhões a um grupo económico regional que abriu falência, alguém tem de pagar por isso. Mesmo que não seja em dinheiro porque esse já deve ter voado.

Desde logo, deve pagar com a menor das consequências, a demissão. Se foi assim, não há desculpa.

Não se pode admitir que um pequeno empresário seja apertado para cumprir as suas obrigações fiscais e que um trabalhador por conta própria pague uma fortuna para a Segurança Social e senhores, que se passeiam em carros de luxo e iates, não paguem nada. É uma vergonha, para não dizer um palavrão.

A única esperança é que seja um lapso, um erro do sistema ou uma conspiração dos inimigos da Madeira Nova.

Dívidas com mais de 10 anos – algumas com 14 – não podem ter sido esquecimento ou um ‘favor’ até se resolver um problema de caixa.

No meio de tudo isto, há dezenas de trabalhadores no desemprego e espaços emblemáticos da Madeira de portas fechadas.

2 – O COPCON tinha razão! Muitos já não se lembram do que era o COPCON, a abreviatura de Comando Operacional do Continente, a unidade militar criada após o 25 de Abril de 1974 para executar as acções decididas pelo Movimento das Forças Armadas e, num período em que as polícias estavam paradas, executar tarefas que competiam a essas mesmas forças da ordem. Otelo Saraiva de Carvalho, o estratego da Revolução, foi o seu comandante.

Há quase 40 anos, no dia 11 de Março de 1975, o COPCON, a mando do Governo de Vasco Gonçalves e na sequência da tentativa de golpe de Estado de direita, prendeu muitos dos banqueiros portugueses, acusados de ‘sabotagem e económica’. Entre eles o agora ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, então um jovem de menos de 30 anos, e muitos dos seus familiares.

Sem saber, os ‘fuzileiros barbudos’ que foram buscar a família mais rica do país e a levaram a para Caxias, estavam a antecipar o que deveria ter acontecido anos mais tarde.

Esquecendo o humor que a situação regista, porque nem as acções do COPCON nem as do presidente do BES fazem rir, o que se passou com o maior banco privado português foi uma catástrofe e mais um desleixo total de quem deveria policiar esta gente. Em vez de usar a táctica do Otelo, preferiram deixar a raposa dentro do galinheiro, durante uns dias, a tomar conta das galinhas... Voaram 4.900 milhões. Coisa pouca.