Aguardávamos, com alguma expectativa, a realização deste grande evento. Na minha modesta opinião, a dádiva excedeu largamente a expectativa. Os dias desenrolaram-se em crescendo e os sentimentos e sentidos foram marcando a sua presença. Ao fim dos vários dias pairavam no ar do Centro de Congressos, palavras, sons, frases que pareciam ter-se desligado dos dias em que nasceram, desejando ser lembradas para sempre.

A importância e a dinâmica de uma diocese no universo e na cultura de uma região, que assume um espaço de pertença nesse seu mundo, possibilitaram que uma pequena região experienciasse durante quatro dias, a realidade de parte da sua grandeza. Desta forma, gera o sentimento de que algo que nos contenta, e de que nos podemos orgulhar colectivamente, aconteceu efectivamente.

Foram muitas e valiosas as intervenções e preocupações expressas pelos vários intervenientes neste encontro. Apesar da complexidade do tema, foi tal a clareza das exposições, que levaram todos a saber melhor a importância deste sentimento que é o de pertencer à primeira Diocese instituída fora da Europa. Esta não foi apenas uma reflexão sobre o que fomos. Transportou-nos para a importância do que nos aconteceu, para sabermos como e o que podemos ser, enriquecidos por esse saber, vindo da dádiva da partilha do conhecimento.

Há 500 anos muitos portugueses lançaram-se, a partir desta diocese, na grande aventura dos descobrimentos, atravessando os mares e percorrendo o mundo em todas as direcções, em busca de outras civilizações e de outros povos, transportando nos seus espíritos a crença no divino. O choque, com a amálgama de culturas dos novos descobrimentos, trouxeram a cultura da tolerância e do pensar plural, necessários em virtude da diversidade das pessoas e do interesse destas, em desenvolver a sua autonomia.

Neste congresso, que acabou por ser breve, fomos convidados a pensar que o movimento de expansão inerente à vida encontrou na “aspiração humana a sua expressão mais purificada”. Afinal, a história da nossa Diocese, a primeira “Diocese Global”, permitiu-nos uma viagem pelo passado, mas deixou-nos com o pensamento voltado para o futuro e um infinito de curiosidade.

Jorge Carvalho