Na procura de entender melhor o papel de liderança que cabe à função de “ser treinador”, acabo por ter de olhar inevitavelmente para fora do contexto estritamente desportivo. Isto porque acredito que “ser líder” é algo “treinável”, cujos “skills” podem ser aprendidos e aperfeiçoados, pelo que vejo essas “habilidades” de liderança como comuns a diversas áreas, desde a gestão de empresas à política. Afinal, “liderar” não é mais do que orientar os membros de uma “equipa”, motivando-os e conduzindo-os no sentido de optimizar a performance desse conjunto de pessoas. Organizando as tarefas que cada qual tem de cumprir, mas também desenvolvendo a auto-satisfação que cada indivíduo sente ao colaborar na obtenção dessas metas colectivas. Pela experiência no desporto, e pelos contactos directos e indirectos com “líderes” de outras áreas, tenho cada vez mais a forte convicção de que a eficácia do “líder” ultrapassa em muito a sua capacidade em organizar a intervenção de cada indivíduo no seio de um colectivo. Passa inevitavelmente, isso sim, pelas relações de CONFIANÇA que é capaz de estabelecer nesse processo. No contexto desportivo diria que a eficácia de um treinador vai muito para além da sua capacidade na estratégia e na táctica… até mesmo do seu conhecimento sobre os métodos de treino que pode utilizar para preparar a sua equipa para o confronto desportivo. Para o estabelecimento e reforço dessas relações de CONFIANÇA, acredito que um dos principais argumentos é a empatia criada pela “proximidade emocional” com os liderados. Isto quando à justeza das decisões do líder se somam a coerência do discurso com a práctica e a coragem demonstrada nos momentos difíceis. Por isso tenho muita dificuldade em aceitar que um treinador não esteja próximo dos jogadores quando estes passam por momentos particularmente difíceis, e não seja o primeiro a “dar a cara” na hora da derrota. Um treinador… ou qualquer outro verdadeiro “líder”!
Nelson Caldeira