Começa a definir-se, claramente, o conceito de regime cavaquista enquanto modo de usar um país e um povo para retirar o máximo proveito para uma minoria que tomou o poder há quase três décadas. O regime cavaquista tem em quem lhe dá o nome, a figura que consubstancia na acção e no pensamento, o essencial deste conceito: uma postura arrogante mas um profundo complexo de inferioridade, ausência de ideais humanistas, um pragmatismo ao serviço de objectivos ideológicos que lhe foram injectados pelos que considera seus superiores, rodeado por uma horda de espertalhões cujo único fim é servirem-se do poder para engordar as contas bancárias, um discurso piedoso e hipócrita para conquistar o voto dos mal informados e inconformados com o caminho da Democracia. Cavaco foi, e é, o homem que tornou o país no lugar absurdo em que vivemos, prestou-se a servir um grupo de muito ricos sem moral e sem pátria que quer que Portugal regresse ao antes do 25 de Abril. Todo o exercício do poder em Cavaco foi, e é, cumprido zelosamente ao serviço deste bando dando lugar à emergência de um grupo de novos-ricos que com os instrumentos do neoliberalismo financeiro, dos financiamentos “à tripa-forra” de uma Europa falsamente solidária, com as maiorias absolutas legislativas a produzirem o que precisam e os conluios mais obscuros, fizeram fortunas pessoais que os instalaram confortavelmente como testas de ferro do regime que nos governa desde 1985. O regime cavaquista estende-se consistentemente pelos três grandes partidos do poder PSD, CDS e PS e controla quase tudo. Na Madeira vivemos o seu subproduto mais exemplar: o “Sr.” Cavaco, o tal que tinha a Madeira no coração, concedeu a Jardim e aos seus homens, as condições que garantiram o reforço do poder e a consolidação das práticas que hoje nos arrastam para o desemprego, a insegurança e a fome. Não haveria jardinismo sem regime cavaquista. Só nos restam dois caminhos: prosseguir a marcha do cavaquismo até nos tornarmos, completamente, nos precários de baixos salários da Europa ou inverter o sentido do abismo e, pela arma do voto, defender o que resta da Democracia garantindo um futuro mais justo para nós e para os nossos filhos. A hora é de responsabilidade individual, não prescindamos de decidir e pensar.

Isabel Cardoso Professora