Ouvimos, a respeito do aniversário do porto do Funchal, a Sra. Secretária dizer que a situação era insustentável. Que o porto ganhava o suficiente para cobrir os custos operacionais, mas não os de amortização e juros de investimento. Uma situação por demais conhecida da hotelaria madeirense, já que são muitos os hotéis que passam por este dilema.

O que me parece estranho é ainda haver quem invista no turismo, e acima de tudo na hotelaria. Porque já passamos a fase em que a opção foi ter mais turistas a pagar menos. Neste momento, opção feita pelo pagar menos (única maneira de compensar o crescimento excessivo de oferta do destino), chegamos ao momento em que nem isto chega: começamos agora a ter menos pessoas a pagar muito pouco.

A propósito, nunca mais se ouviu falar da Conta Satélite de turismo. Porque será? Será que os resultados são um desastre tão grande que não interessa que se saiba?

Continuo a ouvir responsáveis do sector a comparar a Madeira com as Canárias. Errado: o nosso modelo não pode ser o das Canárias. Não temos volume nem oferta para que isto seja possível.

O modelo da Madeira tem de passar por haver menos pessoas a pagar mais. Temos de evitar as situações de parques de estacionamento saturados no Pico do Arieiro e no Rabaçal. Engarrafamentos no Ribeiro Frio. A Madeira, mas mais especificamente o mercado da oferta Madeira, tem de passar por uma requalificação. Temos, para sermos sustentáveis, de poder voltar a atrair as classes média-altas da Europa ocidental.

Se não o conseguirmos, é melhor fechar já. E que o último a sair apague as luzes…

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