Há pessoas que quando emitem as suas opiniões, fazem-nos parar para pensar. Neste caso, Paul Krugman conseguiu fazer todo um país reflectir sobre a sua situação actual. Com efeito, o prémio nobel da economia, publicou recentemente no New York Times um artigo intitulado “Pesadelo em Portugal” onde aborda a frágil situação portuguesa. Krugman defende que Portugal tem tido, ao longo do tempo, más políticas e profundos problemas estruturais. Contudo, aponta que os outros países também os têm e termina esta ideia com uma pergunta certeira: como é possível que o país consiga lidar com esta situação condenando ao desemprego grande parte dos trabalhadores disponíveis? Na sua perspectiva, a solução poderia ser encontrada numa política monetária e orçamental expansionista, ou seja, o inverso do que estamos a assistir. No entanto, realça que o país não pode tomar esse tipo de decisões porque deixou de ter moeda própria. Perante este cenário advoga uma decisão: ou o euro acaba ou são tomadas medidas para o pôr a funcionar. O conceituado economista “pinta um quadro negro” da situação específica portuguesa, mas também de toda a zona euro, considerando-a inadmissível. Recomendo a leitura deste texto aos responsáveis pela situação económica da zona euro, mais que não seja, para se lembrarem que existem alternativas à austeridade e à consequente estagnação económica.

Pedro Nunes Economista