Conceição Pereira Os professores estão a ser lesados em todos os aspectos. Por um lado, a austeridade está a criar um clima social terrível e todos os problemas sociais afectam os alunos que, por sua vez, descarregam dentro da escola. E os professores são os que mais sofrem com o clima pernicioso que se vive na sala de aula e arredores. Por outro lado, os governantes cada vez mais estragam o estatuto profissional dos professores com cortes nos ordenados, aumento de impostos e agora na ADSE, com a chamada mobilidade, que eles agora dizem que não vai haver, mas metem na lei, sem contar com os despedimentos e outros problemas afins. E, desgraçadamente, agora culpam os professores de quererem prejudicar os alunos ao fazerem greve no dia dos exames. É ouvi-los, em alto e bom som: “a greve é um direito constitucional, mas por que hão-de fazer greve no dia dos exames? Não pensam no mal que fazem aos alunos, estão a usá-los a cortar-lhes o futuro...” Até parece que o futuro dos alunos depende apenas do “desgraçado” do exame. quando, a verdade seja dita, eles não aprendem nada com exames. Ora um governo que levou as escolas ao caos, onde não há papel para fichas, nem papel higiénico, nem telefone, que são os professores a colmatar essa falta com os seus telemóveis e ainda vem dizer que são os docentes que não pensam nos alunos! Haja vergonha, haja decência e não pensem que somos todos uma cambada de parvos. Os professores têm todas as razões do mundo para usarem o seu direito à greve e os encarregados de educação devem apoiá-los também nesta luta, para bem da escola pública, gratuita e de qualidade para todos os filhos do Povo.