O partido CDS/PP recentemente ofereceu cadeiras para uma das duas igrejas existentes no centro da Camacha e por toda a ilha estão a ser recuperadas as casas paroquiais. É um flagrante exemplo a construção de um novo edifício no centro da vila da Ponta do Sol composto por três andares e que segundo foi noticiado na comunicação social todo este investimento é suportado pelos paroquianos. Uma outra notícia recente foi o projeto em curso do restauro de várias peças artístico - religiosas e inclusivamente as da nossa emblemática Sé do Funchal que volta a estar em “tratamento de beleza” durante um ano. Como é possível a realização de tanto investimento no património religioso quando as instituições de caridade a exemplo da Cáritas Diocesana do Funchal anda pelos supermercados e pelas ruas a pedir aos cidadãos o pão para os mais necessitados? Não sou contra a conservação e o restauro do nosso património religioso, sou sim, contra esta balbúrdia, esta indefinição e este compadrio existente entre a igreja ea classe política que em tempos de crise não têm como principal prioridade o combate à fome e ao desemprego. A nossa Diocese do Funchal em vez de ajudar os seus fiéis no verdadeiro sentido da palavra, está mais preocupada em proteger os seus bens materiais que entre muitos dos casos se insere o suspeito panfleto do Jornal da Madeira. É óbvio que a maior fatia destes dinheiros não é proveniente dos paroquianos mas com certeza do dinheiro do nosso desgoverno que o usa em troca de favores eleitoralistas. Infelizmente a grande maioria dos nossos dirigentes ainda continuam preocupados com o seu umbigo e já é tempo do povo acordar, caso contrário morrerá à fome mesmo ao lado dos mumificados espaços de arte sacra.

Patrícia Sumares