Tinha dito a mim próprio que iria encerrar o ciclo de colaborações com este jornal sobre o tema da mudança política necessária para mudar as nossas vidas, que culminou com as eleições autárquicas, em outubro passado. Todavia, o rumo que a governação da Região continua a levar, parecendo ignorar os resultados de tais eleições e, pior ainda, demonstrando que não quer colaborar com as Câmaras e Juntas que se lhe opuseram, quando noutras circunstâncias, vinham oferecer e, por vezes até impor, as obras a fazer, obriga-me a repensar a questão. Porque estamos numa fase que requer visão, competências e determinação para encontrar as melhores políticas para desenvolver a economia da Região, criar emprego e gerar meios para pagar o que se deve, tanto mais que a respectiva factura irá aumentar significativamente, a partir de 2016. Mas, para tal, é necessário unir esforços, concertar objectivos, definir programas e os recursos a afectar, com vista a promover um desenvolvimento sustentado, a nível regional e local. No presente contexto regional não parece ser esse o caminho a ser tomado, vendo-se crispação onde devia haver respeito mútuo e o diálogo necessário para encontrar as melhores soluções para as necessidades das populações levando-nos a concluir que a mudança iniciada a 29 de setembro ainda não está completa faltando o controlo dos instrumentos de planeamento que só um novo governo, com uma nova política, pode garantir. Ao contrário, continua a olhar-se para o umbigo e a achar-se que somos os maiores e os melhores! Nem de propósito, li há dias neste jornal um artigo de um hoteleiro que achei pertinente por, contrariamente á tese oficial de um «grande ano turístico», contrapunha como exemplo o ano de 2008, tido como o melhor de sempre, que registou cerca de 1 milhão de visitantes entrados na Madeira mas apenas 60% de ocupação hoteleira, com 55€ de preço médio e 37€ de REVPAR (rendimento por quarto disponível, ocupado, ou não). Ou seja, valores que contracenam desfavoravelmente com outras regiões ou destinos do país, designadamente Lisboa, que apresentam normalmente valores superiores, mais consentâneos com a realidade do negócio. E porquê? Porque se pensa mais em números do que em valores e o valor só é compensado se o produto que eu vendo e promovo tiver um «branding» associado, reconhecido pelo mercado. Ora, parece que é aí que está o problema, congratulamo-nos com prémios do melhor disto e daquilo, quantas vezes para consumo interno, e perdemos o sentido da valorização sustentada do destino Madeira, essa que acrescenta valor e permite que o turista venha mesmo que a um preço mais alto que um destino concorrente. Por isso, a Madeira só será um destino de excelência se conseguir transmitir ao potencial turista que vale a pena pagar «com prémio» para disfrutá-la, no esplendor da sua natureza e das experiências associadas, sem esquecer, e sobretudo, um serviço competente e humano a todos os níveis, e não só nos serviços turísticos. Veja-se o exemplo da Sardenha, entre outros. Já chegámos aí, para contrapor ao «já chegámos á Madeira»?
Nuno Jardim Fernandes Gestor