O turismo madeirense está a navegar com bom vento e de feição desde o início deste ano, e a verdade é que os resultados apareceram.

Não só no número de visitantes (passageiros desembarcados) com mais sete por cento no valor acumulado dos aeroportos regionais até final de Setembro, como também no número de hóspedes nos hotéis do arquipélago (mais 7,6% até Agosto), uma percentagem que difere apenas uma décima do aumento de noites vendidas na hotelaria (7,5%). Mais passageiros desembarcados, mais hóspedes nos hotéis e mais noites vendidas. Também nos restantes índices que interessam nesta abordagem há acréscimos: mais 8,7% nos proveitos totais declarados e mais 11% nos proveitos de aposentos. À partida verifica-se uma recuperação do preço do alojamento o que indica alguma subida nas receitas dos hotéis.

Contudo não podemos confiar só no vento de feição. O velho provérbio português “com bom vento e de feição, é fácil a navegação” acrescenta algum sentido nesta preocupação de termos de continuar a insistir em mercados que possam trazer mais turistas para a Madeira além daqueles que nos são enviados por esta onda que se formou no Mediterrâneo agitada pelo maremoto da “Revolução Árabe”.

Algumas outras preocupações no destino continuam a nos indicar que é preciso voltar a ter mais serviço nos hotéis para evitar que os visitantes, hoje mais esclarecidos e com novas ferramentas de informação, resvalem para os apartamentos alugados à semana, pouco diferentes de alguns hotéis de serviços mínimos.

Queremos continuar a ganhar prémios, sejam eles da melhor vereda, da melhor espetada ou da melhor ilha. Com merecimento. É preciso que falem de nós, de forma positiva. Por isso saibamos navegar neste vento de feição, mas estar preparados para a competição quando as ondas estiveram mais bravas, abanadas pela concorrência, em que só ganha e alcança bom porto quem está preparado e tem serviço com qualidade ainda superior à boa qualidade que, felizmente, e de uma maneira geral, reconhecemos que a Madeira tem.

Catanho Fernandes