A maioria dos alunos encontra na escola o seu espaço de aprendizagens, uns com mais facilidade do que os outros, uns mais irrequietos, uns com mais dificuldades pessoais do que os outros. No entanto, todos eles, apoiados pelos professores e pelas famílias, gerindo as problemáticas próprias de cada idade, tentam construir o seu próprio futuro. Existem, todavia, outras realidades. Uma delas é a daquele pequeno grupo de alunos que não se revê nas dinâmicas da sala de aula nem nos objetivos da escola. São alunos praticantes do absentismo escolar, indisciplinados, insolentes, agressivos, aquele pequeno grupo que só conhece o manual dos direitos e rasga as páginas dos seus deveres. A maioria com 15, 16 e 17 anos a frequentar o 2.º ciclo, ao lado de crianças com 9 e 10 anos e outros no 3.º ciclo também. Estes alunos, com todas as suas complexidades, não estão em Marte nem num outro planeta, estão na escola e entregues aos professores. Ora, agarrarmo-nos apenas às teorias pedagógicas e não sermos capazes de pisar o chão em que vivemos ou atirarmos as culpas para as famílias, para os governos ou para a sociedade em geral, até pode dar jeito, mas não resolve os verdadeiros problemas destes alunos. A escola pública, porque não foge às suas responsabilidades e porque só faz sentido se for inclusiva, oferece algumas respostas a estes casos. Temos, assim, os Percursos Curriculares Alternativos, os Cursos de Educação e Formação e os Cursos Profissionais que não possuem uma porção milagrosa, não obstante, representam excelentes oportunidades. Com novas dinâmicas, com um currículo mais flexível, mais prático, com metodologias a incidir no saber fazer e no desenvolvimento das competências pessoais e sociais, as hipóteses de sucesso destes alunos melhoram. Nem tudo corre bem, o sucesso não está garantido, todavia, em vez de nos sentarmos a contestar e a nos lamentarmos, trabalhamos, procuramos soluções, criamos e abrimos novos caminhos.
Rui Caetano, Professor