"A vantagem das grandes tormentas é que levam galhos podres de uma árvore, abrindo espaço para novos galhos frutíferos" - Jim Rohn, empresário e escritor norte-americano que se iniciou como balconista (não vendia sifões), cuja carreira é aconselhável que se conheça. Faz lembrar a quantidade de galhos podres limpos nas eleições de 29 de Setembro e quantos galhos ainda infestam os jardins da Madeira e que precisam ser amputados. Antes de o povo voltar a se expressar nas urnas, alguém se encarregará de os ir destruindo. Mesmo desconhecendo o teor das conversas do deputado com Jardim, antes e depois do ato, o auto-afastamento de José Pedro Pereira é, disso, exemplo. Ramos indesejáveis estiveram na origem da sua decisão, decisão essa que surge, estrategicamente, para satisfazer variados personagens da política das cascas de laranja que conspurcam esta terra. E não admira que em breve surja(m) outro(s) dissidente(s), estrategicamente, na primeira saída do chefe a Bruxelas. Ramos que apodrecem ou guerra Jardim-Ramos que deflagra? Há, entretanto, galhos saudáveis que são cortados neste jardim à beira-mar (im)plantado. O "Dossier de Imprensa", da RTP-M, foi, depois do terramoto do 29 de Setembro. Gritante censura a vozes que incomodavam, deixando, para alguns, mais suave o caminho da campanha para 2015. Ou 2014? Não admira que o mesmo aconteça noutras situações e que surjam reis, delfins e afins a tentar moderar vozes que incomodam. Isso mesmo tem acontecido no programa "Rádio Totobola", onde o seu produtor, pressionado ou por vontade própria, tudo fez para calar a voz do autor desta e doutras crónicas, que no entanto de lá saiu porque quis (não intervém onde não se sente bem, mas não lhe falta espaço onde possa botar palavra sem qualquer tipo de censura) e, portanto, poderão agora fazer as queixinhas que quiserem, mas que ninguém se arvore a entregar nenhuma cabeça em bandeja a quem lhe encomendou o serviço. Apregoar liberdade da boca para fora é uma coisa, praticar essa liberdade é outra. Talvez por isso, foi calada a crítica em várias situações onde, por exemplo, não se referiu que determinado clube disponibilizou a carrinha e o motorista para ir ao Santo da Serra buscar carcaças de frango para alimentar a canzoada dum senhor que se considera muito importante. Nem se denunciou onde foi parar o saldo bancário do grupo "Os Verde-rubros", mesmo que tenha sido para beneficiar alguém a passar por um momento tormentoso, assolado por outra canzoada (dívidas). Tudo isto é aqui trazido motivado pela necessidade de denúncia e não por ressabiamento ou perda de qualquer tipo de avença, que nunca existiu. Mas nada justifica ameaças de homicídio ou suicídio. Muitos galhos precisam ser podados para que outros galhos possam dar frutos. E viva a liberdade!

Eduardo Fonseca, Jornalista