A ausência do representação do Governo Regional na cerimónia de posse dos novos autarcas de São Vicente e do Porto Santo é reveladora da mais completa falta de sentido democrático deste governo. Uma birra ao melhor estilo de criança mimada que não gostou de perder a chupeta para o menino do lado. Uma demonstração de infantilidade que se julgava ultrapassada entre gente grande na idade mas rasteira na atitude. Se a ideia do governo era castigar os eleitores de São Vicente e Porto Santo, então estou convencido de que conseguiu exactamente o contrário. Porque não acredito que algum cidadão madeirense se reveja numa patetice destas, num exercício da mais baixa política que se pode esperar. Mesmo quando pensávamos que já tínhamos visto de tudo, dão-nos a conhecer mais esta prova de autoritarismo saloio, de vingança primária. Actuam como se fossem dirigentes de uma associação de estudantes do secundário, como se fossem donos de coisa alguma e não percebem que assim perdem ainda mais. Perdemos todos. São atitudes destas que tornam pequenas e vulgares as pessoas ou instituições que até fizeram coisas grandes. É claramente esse o caso. Os políticos que ajudaram a fazer crescer a Madeira são os mesmos que hoje fazem corar qualquer madeirense. Não sei o que pensam os social-democratas de São Vicente e do Porto Santo, mas imagino que devem ter-se sentido ainda mais derrotados e traídos com esta falta de respeito dos seus líderes e representantes políticos ao nível do governo. Acredito que tenham sentido um castigo a dobrar. Não só os eleitores tomaram a decisão de os afastar do poder, como até os seus os abandonaram à sua sorte. Talvez um dia, quando o PSD voltar a concorrer em São Vicente e no Porto Santo, o ‘senhor governo’ volte a meter-se no carro preto para lá ir distribuir acenos e apertos de mão. E talvez nesse dia, esse mesmo PSD fique de mão estendida e cara à banda quando perceber que as coisas mudaram, que o povo cresceu, que os eleitores começam a perceber o valor da alternância, que o desprezo com desprezo se paga. Talvez quem manda actualmente neste velho PSD não se tenha apercebido, mas o partido das maiorias arrasadoras foi posto fora do poder em sete dos onze concelhos. Se até uma criança consegue perceber isso, não se entende como a velha liderança de um partido esfrangalhado ainda não atingiu tão raso raciocínio. Como dizem alguns social-democratas de respeito que conheço, o partido não merecia passar por isto. A verdade, é que ninguém merece este espectáculo degradante de política doméstica. É o que temos, dirão. Pois sim, é o que temos... de mudar.