No amanhecer do séc. XX, as jovens democracias foram flageladas e postas à prova por uma súbita Grande Guerra, para acabarem por ser definitivamente provadas e fatalmente desacreditadas pela inesperada Crise conhecida por Grande Depressão. Depois da queda das Monarquias e Teocracias, as Democracias Europeias são ameaçadas pelas convulsões sociais da Grande Depressão e não resistiram aos cantos de sereia dos Nazismos, dos Franquismos e dos Salazarismos. Os camisas pretas e as suásticas despontaram pelas ruas como movimentos populares e assim nascem, sem pudores, as Ditaduras e os Fascismos, como soluções para a alegada "fraqueza" das Democracias a quem foram imputados todos os males. Hoje, no dealbar do secXXI, acontecimentos similares ocorrem, mas por outra ordem: primeiro surgiu a Grande Crise Financeira, de 2008, da Dívida Soberana, em 2010-2012..., colocando em causa o actual sistema politico. De novo, os movimentos de extrema-direita tomam forma, silenciosamente cerram fileiras, com novas roupagens mais "amigáveis" para velhos incautos e para os mais novos em busca de alternativas nos Le Pens. Depois do florescimento dos movimentos libertadores do final dos anos 60, as Democracias despontaram e disseram nunca mais a extrema-direita. Mas logo se desvirtuaram em plutocracias: passamos a ser governados por uma elite de ricos e poderosos que detêm os meios de comunicação social de massas, organizados em lobbies mais ou menos secretos. Caímos novamente em sistemas pseudo-democráticos em que uma geração de políticos tecnocratas, alternando-se nos "partidos do arco do poder", vão governando afastados do cidadão que os elegeu, promovendo o poder económico sem escrúpulos que exige para si todos os frutos do trabalho de milhões de cidadãos alienados pelos truques offshore da banca, do grande capital.
João Paulo Gomes - Dirigente do PTP