José António Lopes de Matos Tenho passado estes últimos dias perplexo perante o avolumar do lixo doméstico que "enfeita" as ruas e avenidas de Lisboa. Tal situação ocorre em pleno mês das festas da cidade. Nada melhor que esta decoração "sui generis" para abrilhantar a efeméride e empolgar os turistas. Para além deste fascínio visual, acresce referir o odor perfumado que daí deriva, fazendo jus à cantiga tão brilhantemente cantada por Amália Rodrigues anunciando que "cheira bem, cheira a Lisboa. Passando a ironia, ficam os anacronismos quer na letra da canção, quer no olfacto, demonstrando claramente que esta canção soa a escárnio face ao que hoje acontece na cidade, no ponto de vista visual e olfactivo. Pese embora a excelência da melodia e da voz de sua intérprete, se dependesse de mim, evitaria doravante e até razão em contrário, a difusão de tal canção. A razão é tão simples quanto actual: Não gosto que a cidade de Lisboa seja presenteada por uma ironia, outrora elogio mas hoje é chacota, olhando à realidade circundante e presente. Desta vez é Lisboa a vítima de certos romantismos legislativos que, favorecendo interesses corporativos, são displicentes relativamente ao interesse e ao bem-estar geral. Não questiono a razão de fundo que os grevistas possam ter, sendo certo que a razão tenha por vezes de ser vencida, não deixando de ser razão. O primado absoluto do supremo interesse colectivo, não pode submeter-se a interesses ou razões corporativas. O que está em causa é o bem-estar geral que se consubstancia, para além de muitas outras coisas, em questões de saúde pública em primeiro lugar e o nosso bom nome e reputação à luz do olhar de quem nos visita e nesta cidade apostou.