Numa altura em que as reduções de custos estão na ordem do dia, sejam elas sob a forma da eliminação de freguesias, ou pelo encerramento de alguns tribunais, como se enquadram as juventudes partidárias neste cenário? Correndo o sério risco de substituir-me ao leitor, a resposta de muitos será "Já deviam estar acabadas!". Ora, e se eu vos disser que as juventudes partidárias têm a seu cargo a missão mais importante do Portugal do Séc. XXI, e que neste momento são a fronteira entre a democracia e a tirania da minoria - a abstenção. A conclusão parece precipitada, mas é, na realidade, assustadora. Um salto rápido à Wikipedia, indica-nos que nas eleições legislativas de 1975 a abstenção presencial rondou os 8%, galopando, entretanto, até a uns sintomáticos 41% em 2011. Já que os partidos, retidos numa qualquer sala de espera pelas próximas eleições, demitiram-se desse papel, tem de ser esta a principal missão das juventudes partidárias, chamar os jovens à cidadania e à pró-actividade hoje, para que amanhã as urnas de voto não estejam vazias. Está nas mãos destas estruturas de jovens, formar os intervenientes do futuro, reconstruindo as pontes queimadas entre a política e os cidadãos. As "jotas" têm de ser a voz dos jovens nos partidos, e não o eco dos partidos nos jovens.

João Paulo Marques, Advogado