Quem foi mandatado pela maioria do povo votante para governar a Madeira escondeu sem vergonha mil e seiscentos e oitenta milhões de euros! Este milionário montante de encargos assumidos e não pagos nos últimos quatro anos equivale a 140 salários anuais de Cristiano Ronaldo ou a um prémio regular no valor de 7 milhões de euros no Euromilhões durante 240 sorteios. É mais do que um orçamento regional inteiro, dava para fazer quase 6 hospitais a 300 milhões de euros cada e representa três vezes o valor investido na ampliação do aeroporto da Madeira. É este o tamanho do 'buraco' cavado pelo coveiro da autonomia e que, para ser tapado, implica que cada português pague cerca de 160 euros. Um castigo que seria bem mais penoso se os 270 mil cidadãos madeirenses fossem obrigados a assumir os encargos sozinhos. Um crime de lesa pátria que resulta da irresponsabilidade de quem se julga imune a leis e sacrifícios, ao praticar contabilidade paralela e evasão estatística. Uma bronca financeira sem precedentes que obriga a rever défices do Estado e que até surpreende a avisada Europa amiga das ultraperiferias, a mesma União dos fundos, muitos deles perdidos devido a má gestão. Uma prova que a fiscalização das contas públicas assenta em pressupostos de boa-fé e não no rigor. Um rude golpe na credibilidade de um País empenhado em dar a volta ao destino. Mas sobretudo uma ofensa à inteligência de um povo honesto, "estóico e valente" e que a esta hora não merecia estar a ser desconsiderado em todo o mundo só porque entregou o futuro a quem, manifestamente e por muito que o negue, abusou do sincero voto de confiança. É provável que os valores do calote oculto venham a ser outros, bem mais expressivos, dentro de dias. Decorre um intenso trabalho de cruzamento de dados, que compara as contas que foram fornecidas alegadamente de bom grado pelo Governo Regional, com as informações que outras entidades vão fornecendo. Desde que a 'troika' fez saber que entraria nos bancos, era inevitável que o cerco às aldrabices do regime apertasse. Por isso, é mera conversa eleitoralista aquela que Jardim impinge de que se disponibilizou para a auditoria e para o plano de resgate. Falta-lhe crédito. Agora também nas palavras, nas contradições em torno do montante da dívida. Num dia, Ventura Garcês diz conhecer os números que não revela antes das eleições. Noutro, Jardim garante que "não estão completamente apurados" e que o processo "vai levar algum tempo". Passos Coelho desmente-os. Até final do mês sabe-se tudo e agora o esforço será mais exigente para os sacrificados madeirenses. O PSD nacional pena para libertar-se de quem até compara a Sócrates e enterrou a autonomia. Sim, a autonomia já era. A sentença foi dada na semana passada com a revisão do memorando da 'troika'. Mesmo assim os eleitores que precisam de ser elucidados, continuam ser confundidos. O que se assiste na mistura de jantaradas com a distribuição à borla de inertes, telhas, livros, t-shirts e cabazes alimentares é atentatório da dignidade humana. Estreita-se a margem de tolerância e de perdão. É insuportável tanta mentira, a tal "irregularidade grave, que não tem compreensão". Nini Andrade Silva, Designer Traz para a Região mais uma distinção internacional graças à linha de mobiliário 'Garota do Calhau'. Bem precisamos de alegrias e de mérito. Miguel Albuquerque, Presidente da Câmara do Funchal Empenhou-se em mais uma parceria de sucesso com o DIÁRIO. As ciranças agradecem. Venha daí a reedição da Banda do Panda. Ivo Vieira, Treinador do Nacional Merece a primeira vitória. Por ser generoso e por saber passar a mensagem de serenidade para um balneário incrédulo. Um líder. Cavaco Silva, Presidente da República Tarda a repreensão exemplar a quem desrespeita a Constituição e todas as obrigações. Está à espera de nova chantagem? Ventura Garcês, Secretário Regional Demitiu-se ou fez voto de silêncio? Voltou à Austrália ou emigrou para o Brasil? Mesmo em Lisboa, não custa nada atender o telefone.
Ricardo Miguel Oliveira, Director