É curioso como sociologicamente o PSD e o PS são parecidos. Nos últimos dias, ambos apresentaram um cartaz de um só homem, o homem que sabe o caminho, diz o PSD, o homem que nos vai salvar, diz o PS sem sequer pensar em perguntar-nos como e se queremos ser salvos. A indicação é clara: ambos querem o poder absoluto, ambos reivindicam o domínio absoluto da sociedade porque, gritam, a sociedade não sabe o que quer. Ai de vós se não formos nós, exclamam, com vozes que mais não são do que ecos de tempos passados. PS e PSD querem absolutamente controlar todas as áreas, instalar-se absolutamente nas cadeiras do poder, decretar o absoluto conhecimento das coisas deste mundo e do outro. PS e PSD estão condenados no tempo. Se ao menos soubessem História, perceberiam que as sociedades evoluíram, que hoje as pessoas (o povo, como insistem em chamar-nos, utilizando o léxico passadista das revoluções de outros dias) querem participar, têm o direito a participar, querem ser ouvidas nos processos de tomada de decisão em todas as áreas, dispensando por isso os super-homens. O Übermensch (além-do-homem) hoje é parte de todos nós, cidadãos com direito a um papel activo na definição do nosso destino. PS e PSD ainda não perceberam, nem perceberão nunca, porque a sua génese não o permite, que este é finalmente o tempo dos cidadãos. Já há muitos anos, o visionário Ortega y Gasset escreveu: "A nossa vida, como repertório de possibilidades, é magnífica, exuberante. (…) Não pode orientar-se no pretérito. Tem de inventar o seu próprio destino". Pena que PS e PSD não sejam dados a leituras, preferindo o pragmatismo puro da política do passado. Pela parte que me toca, gostaria que a partir de 9 de Outubro todos nós fossemos mais donos do nosso destino do que somos hoje. Sem super-homens nem salvadores da pátria.

Gonçalo Santos