Nada impede que o CDS mude de opinião quantas vezes quiser, mesmo sobre matérias políticas de interesse relevante para a vida das famílias e a pequena e média economia da Região. Do mesmo modo que eu, enquanto político e cidadão, tenho o direito à minha opinião, mesmo que discordante. Aliás, um dos princípios básicos da democracia é o respeito pelas diferenças quando manifestadas num plano de ideias, evitando a pessoalização e a ofensa. Vem isto a propósito das posições críticas que o líder e deputado do CDS-M na Assembleia da República assumiu durante o último mandato do governo do PS relativamente às medidas de austeridade impostas aos portugueses, incluindo os da Madeira. Nessa altura JMR encheu páginas e páginas de jornais e justiça seja feita, foi muito hábil nessa cumplicidade com os seus colegas de profissão. O problema é que, depois das últimas eleições e com a chegada do CDS ao governo da república com o PSD, JMR e o CDS mudaram completamente o discurso e as posições de voto. Tudo o que antes era mau e anti-social na governação do PS, agora as mesmas medidas, ou ainda piores, são boas ou excelentes. Mas vamos aos factos: O CDS votou, apoiou ou está solidário com as medidas de austeridade decididas pelo Governo da República, que vão para além do memorando da Troika, tais como: corte de 50% no subsídio de natal, congelamento de salários e carreiras profissionais na função pública até 2014 e aumento do IVA nos bens de 1ª necessidade para o escalão máximo de 23%. A questão óbvia que se deve colocar ao CSD e a JMR é se, na mesma conjuntura económica e financeira do País, com um governo PS, votava a favor destas medidas de austeridade. Obviamente que não. Por outro lado, tenho sérias dúvidas que se JMR tivesse dito na campanha eleitoral que iria votar estas medidas, obteria o mesmo resultado eleitoral. Termino este artigo de opinião como comecei, JMR e o CDS são livres de mudar de opinião, compete aos eleitores tirarem as devidas ilações já no próximo dia 9 de Outubro.

João Isidoro Gonçalves - Líder do MPT-Madeira