Os resultados da actividade turística revelados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram a Madeira a subir em todas as alíneas, desde a entrada de hóspedes nos hotéis até aos proveitos que, por tal motivo, também, se revelaram mais expressivos do que no ano de 2010, afectado pelas intempéries de Fevereiro, e provavelmente, do que em 2009, quando na Região Autónoma se revelava uma queda dos turistas britânicos e alemães, por motivos que bem se conhecem. O melhor ano de todos do turismo regional foi o de 2008 e tem de ser com esses números que temos de nos confrontar se quisermos atingir melhores objectivos e resultados. As estatísticas de 2008 já nos provavam que o destino Madeira se confrontava com um grave problema de sazonalidade, se bem que no conjunto do ano tenha obtido uma ocupação média de 60,4% e uma venda recorde de 6,2 milhões de dormidas. Um ano em que também o Revpar (receita por quarto disponível) da hotelaria chegou aos 36,6 euros. Os proveitos foram de 297,8 milhões de euros. No ano seguinte, em 2009, os proveitos baixaram 14,1%, as dormidas, 11,5% (para 5,6 milhões) e os hóspedes 10,1%. Valeu-nos o mercado nacional, onde o Turismo da Região fez uma forte aposta e que cresceu cerca de 15,7%, porque se não a queda teria sido ainda maior. O Revpar baixou 16,7% para 30,62 euros. No ano passado, o de 2010, foi a tragédia que se conhece, e sugiro até que não sirva de comparação quando quisermos evidenciar o nosso desempenho deste ano. Creio que lancei os dados suficientes para que as pessoas que estão ligadas ao sector possam seguir com melhor conhecimento o que se está a passar este ano. Há poucos dias li que a Madeira se evidenciava no plano nacional como o único destino que registava acentuados crescimentos. Não é difícil, face aos números anteriores, e só quem estiver de má fé ou esquecer o que se passou nos últimos anos, considerará o nosso registo deste ano um feito soberbo. Os resultados são melhores, na verdade. Contudo, considero que se trata de um ajustamento dos números. Nomeadamente nas entradas e nas dormidas, de acordo com a nossa capacidade hoteleira, longe ainda da sua disponibilidade total, nas duas ilhas do arquipélago. E não podemos esquecer que a rentabilidade do sector está ainda muito longe da dos melhores meses de 2008. E neste ano com uma ajuda externa e inesperada dos turistas que cá vieram no Verão como alternativa de outros destinos de praia e mar, agora pouco aconselháveis por questões de segurança. O negócio do turismo defrontasse com mudanças de paradigma, na operação e na gestão, e tudo isso tem contribuído para que exista neste momento uma transição que tem sido mal entendida pelos grupos pequenos ou pelos hotéis individuais, estes fortemente penalizados pelo crédito bancário a que recorreram para os seus investimentos. É, porventura, um factor agravante. Está na hora de pensarmos como iremos manter esta onda de ajustamento, bem mais importante que nos preocuparmos em cantar glória ou agitar bandeiras de triunfo num cenário que não se compadece da falta de promoção e/ou do pouco profissionalismo de alguns agentes institucionais. A montante planifica-se e manda-se executar, a jusante colhem-se os resultados. Muitas vezes de acordo com o bom ou mau trabalho executado anteriormente. Outras vezes com algumas ajudas. Deixemo-nos de política barata e procuremos resolver os problemas como eles se apresentam, depois de análises concretas e de acordo com os factos e os condicionalismos que as situações nos sugerem. Guardem a euforia eleitoral para depois do plebiscito, mas para festejar sobre a matéria de facto. O turismo não é candidato, nem vai a votos.