Tempo encharcado de debates e eu, aqui, a defender Maria e Manuel a ver se me alivio ou não me farto com tudo isto. Se não escrevo, abafo, como a Corcunda, de Pessoa, ao escrever para o Serralheiro. Onde é que eu ponho a minha cabeça? Nas nossas Assembleias Legislativas e nos seus computadores embutidos que creio terem perguntas erradas para respostas erradas. Podes dar uma mãozinha? Muito obrigado pela sua pergunta. Eu diria que o aumento de impostos..., perdão; posso, a despeito de ser melhor deixá-los marchetados como o marfim onde cá sei. No hemiciclo terão valor os seres que tomem a palavra como Calisto Elói, de Camilo Castelo Branco e bradem: entendemos quase nada do que disse se passar! Numa publicidade da antena 2, a arte que toca, surge, em câmara lenta, uma estupenda bola cor de roxo chinês, a rolar, saltitando pelos altos de mulheres de saltos, num chão de mármore e pastilhas... elásticas já espalmadas no chão! Isto é enterrar-se sem morrer. Acabemos com o mastigamento e esmigalhamento. Bin Laden já foi de patins! Voltemos da guerra. Basta uma torre de vários andares e deixemos a arte de todos para quem a quer ver sem ser neste estado. Eduardo Souto Moura, em entrevista à SIC, citou São Tomás de Aquino: 'a beleza é a relação entre duas coisas diferentes. Não é um estado prévio, é uma procura, nunca se consegue e precisamos de lidar com coisas antagónicas para se chegar lá. Portanto, a arquitectura se é muito integrada: não se destaca, não se lê. Se é isolada: tomba, soa num protagonismo que cansa'. Criámos este paraíso, muita gente diz que sou uma pessoa de sorte, mas a sorte dá muito trabalho, disse João de Gouveia no Madeira Rural. Os cicloramas divididos continuam a reflectir a luz, de quem trabalha, mesmo que para caminhos distintos e só iluminem alguns. Não sou neutro, não caio no meio da ponte e posso gostar dos dois lados. No palco e na urna "alívio you so much"!

Élvio Camacho - Actor