Todos nós temos um familiar ou um amigo que, directa ou indirectamente, depende da capacidade de empregabilidade do Governo Regional ou do seu poder aquisitivo em bens e serviços, quer através da administração de serviços públicos, quer por via das empresas que gere ou participa. Tal situação não implica necessariamente que tais pessoas devam obediência política ao seu «patrão» ou «fornecedor» uma vez que em democracia os Governos são eleitos e o vínculo que une o trabalhador ao empregador é um direito reconhecido pelo sistema da administração pública independentemente da cor ou natureza política dos Governos, que, em democracia são transitórios. Mas, com a vigência demasiado prolongada de um Governo, seja ele qual for, tende-se a confundir a natureza efémera da sua gestão com a inevitabilidade da sua actuação face a «poderes concorrentes» levando a que se crie nos seus agentes e no eleitorado em geral que «só aquele Governo é capaz de governar» e que o vínculo contratual que liga governantes e governados é exclusivo da vontade do Governo em funções, logo convém continuar a votar nele. Trata-se naturalmente de uma ilusão e no caso da Madeira essa visão distorcida do poder político tem permitido os maiores desmandos e abusos de poder, sem respeito pelos adversários (mesmo que pretensamente «inferiores») e que conduziram ao desvirtuamento da própria Autonomia já que em lugar de aperfeiçoar um sistema de administração centralizado reproduziu os seus efeitos e ampliou o seu impacto negativo pelas políticas erradas entretanto adoptadas. Com efeito, passou-se de uma fase de desenvolvimento baseado na criação de infraestruturas públicas necessárias para uma fase de investimento a qualquer preço sem ponderar critérios de rentabilidade económica e social que nos conduziram ao endividamento excessivo e á incerteza sobre o futuro. E hoje, não são só os críticos do regime que não se revêem na política do actual Governo e se interrogam sobre o sentido de uma atitude ostensiva do «empurrar para a frente» (quem vier atrás que feche a porta) com mais e mais obras que não ajudam a economia nem garantem o futuro dos madeirenses antes o agravam com o desafio permanente ao Governo da República ,á Troika e a quem ousar criticar seja o que for. Por isso, é caso para perguntar porque insistem os madeirenses em manter um Governo que se esgotou nas soluções criativas e se empenha em «fazer mais do mesmo»? Têm medo de quê, da mudança, de serem vistos a falar ou colaborar com a oposição por poderem vir a sofrer represálias no trabalho ou na empresa? Por muito menos mudou-se em Junho o Governo da República… Mas, se é assim, há uma solução que até nem precisa de ser denunciada em público, basta que cada um se dirija calmamente para o seu local de voto e coloque a «cruz» onde se sabe que vai impedir a continuação deste Governo e de quem o dirige com mão de ferro. Mesmo simulando á saída que se votou em contrário… Será uma espécie de revolta do silêncio pela libertação das consciências!

Nuno Jardim Fernandes - Gestor