
Confesso que só vi o episódio pelas imagens que as estações de televisão transmitiram e que foram multiplicadas nas redes sociais da Internet. Mas o que vi deixou-me muitas dúvidas e alguns receios. Resumindo, dois oficiais superiores da PSP - um intendente e um sub-intendente - interpelaram um deputado municipal, na Assembleia Municipal do Funchal, durante uma Sessão Solene para a qual os dois polícias tinham sido convidados. O deputado em causa, do PND, estava a interromper a intervenção de outro convidado, o presidente do Governo Regional.
Se percebi bem, o único dos intervenientes que estava em casa era o autarca do PND, os outros tinham vindo para a festa. Os polícias até vinham com a farda número um, aquela das cerimónias, cheia de adereços e particularmente quente para um dia de Verão.
E até pode ter sido o calor que os fez levantar, uma vez que, também pelas imagens, não estava em causa a segurança de ninguém, não havia tentativa de agressão, roubo ou sequestro. Era, apenas, um deputado municipal a dirigir-se ao presidente do Governo.
Tão diligente acção dos oficiais da PSP dá que pensar. Se foi um acto irreflectido, do qual os dois protagonistas já estarão arrependidos, tudo bem, continuamos para Bingo. Se não foi, então a coisa é mais complicada.
Se esta forma de agir é para manter, então até seria bom convidar os oficiais da PSP para todas as sessões plenárias da Assembleia, sobretudo aquelas em que participa o presidente do Governo e em que passa o tempo a mandar 'bocas' aos deputados da oposição. Provavelmente os dois diligentes oficiais irão agir em conformidade.
Antes disso, era bom que alguém explicasse que não estamos num Estado policial e que a PSP, como todas as outras forças de segurança, tem uma missão nobre a desempenhar que não inclui o envolvimento neste tipo de episódios. Mas acredito que foi só do calor, porque aquelas fardas são mesmo quentes...