Amélia F. Carvalho Uma manhã de sol, uns amigos, alguma expectativa e lá fomos descobrir a nova promenade da Praia Formosa até Câmara de Lobos. Há muito que fazia falta aos madeirenses e aos turistas a possibilidade de caminhar pela costa sentindo o cheiro do mar, ouvindo as ondas e o rolar dos calhaus, esquecendo o trânsito e deixando para trás a visão de todo aquele amontoado de prédios que foi preenchendo as encostas e tapando as nesgas de mar visíveis da estrada. O impacto inicial agradável, provocado por todo aquele espaço e aquela nova passerelle, lembrando outros "paraísos" de férias, depressa se foi transformando em desagrado e profunda pena à medida que andávamos e surgiam lixos abandonados, porque não havia o sítio correcto para os depositar, e se repetiam os restos de materiais de construção deixados bem visíveis entre a areia e as rochas, irresponsavelmente, por quem construiu. Lixo e desarranjo atraem mais lixo. Vimos duches, mas poucos funcionam, rampas de cimento para lugar nenhum…Todos ouvimos falar do jogo do empurra que foi o assunto da limpeza e arranjo final desta parte da promenade. O resultado vê-se! Esta falta de sensibilidade ambiental de quem fez esta parte da obra no concelho do Funchal, mas muito especialmente de quem a aceitou como concluída, sem que os arredores estivessem minimamente a condizer com a mesma , ficou bem patente ao chegarmos ao concelho de Câmara de Lobos, pelo contraste que encontrámos. Começava ali uma outra promenade. Logo ali, junto à ponte, no canto da estrada, um pequeno espaço ajardinado e REGADO! A partir dali e até à baía, ao contrário do que muita gente esperaria , vimos LIMPEZA e ARRANJO. Aproveitaram-se pequenas reentrâncias nas rochas transformando-as em jardinzinhos. Vimos jardineiros a cuidar e a regar e incentivámos a que assim continuassem. Felicitámos moradoras ao longo deste percurso, que cuidavam dos seus pequenos quintais com tanto brio, apesar das dificuldades da vida. Reencontrámos aqui a alegria do passeio, o equilíbrio, e o sentido das coisas. É nesta Madeira despretensiosa, cuidada e humana, que o madeirense se revê e se orgulha e que ao longo dos anos tem sido aquele CANTINHO ESPECIAL para tantos turistas . Não percamos mais o que nos caracteriza. A manutenção, o arranjo e a limpeza têm que ser preservados a todo o custo. Hoje, mais do que nunca corremos o risco de perdermos o que nos resta de QUALIDADE, e ela é ESSENCIAL para continuarmos a ter TURISMO e sobrevivermos.