Contrariando o actual estado da maioria dos sectores da nossa economia, o Turismo, naqueles negócios que não dependem do mercado interno, está a correr bem. Pelo menos a partir da Primavera os destinos portugueses estão a ter aumento de clientes, não há degradação de preço médio e, desta forma, as empresas esperam resultados melhores que os dos últimos dois anos. Na Madeira a evolução é ainda melhor. Não por ser um ano excepcional, mas por 2010 ter sido o ano de todas as desgraças: enxurradas, nuvens vulcânicas e incêndios. A que se deve esta melhoria? São factores estruturais, que em consequência nos permitem potenciar um melhor desempenho de forma consistente, ou são aspectos conjunturais cujo efeito terminará, assim, que a envolvente se alterar? Na minha perspectiva existem três factores fundamentais para a melhoria que se verifica: 1- recuperação de várias economias do Norte e Centro da Europa, designadamente a alemã, 2 - o fim da desvalorização das moedas Inglesa e Sueca que tinham caído nos últimos dois anos de forma abrupta tornando os destinos com preços em euros proibitivos, e 3 - os recentes acontecimentos políticos e sociais que inverteram a tendência dos fluxos turísticos no Mediterrâneo, favorecendo agora os Destinos do Oeste (Portugal e Espanha) em detrimento dos de Leste (Egipto, Tunísia, Jordânia e mesmo Grécia). Esta evolução do Turismo tem assim muito de conjuntural. Mas tem características que podem permitir, com boas políticas, decisões tomadas no momento certo e acções correctas prolongar esta boa onda para os Destinos Turísticos Portugueses por mais algum tempo e, com isso, estruturar melhor o nosso contexto de competitividade Internacional neste importante sector da Economia. Que acções? Na próxima crónica tentarei aduzir algumas.
José Theotónio, CFO - Grupo Pestana SGPS