Considere um riacho a correr no seu leito encosta abaixo, nele temos uma pedra roliça e a própria água. A pedra roliça move-se como um todo, pois os seus diversos constituintes têm uma relação mútua que é fixa. A água também se move em conjunto, mas deforma-se pois os seus constituintes, as moléculas da água, não têm relações rígidas entre si. A pedra pode suportar alguns impactos, pode ir um longo caminho até ficar presa, a água passeia-se sem esforço. Ao contrário da água, a pedra é redutora na maneira como organiza os seus constituintes, eles parecem perder a sua individualidade. O conteúdo de informação permite distinguir facilmente uma substância da outra. Em comparação com a água, a pedra necessita de relativamente pouca informação para descrever o seu estado. Há aqui um paralelo com os indivíduos da sociedade, eles movem-se sob a influência da informação. Se lhes fornecermos pouca informação, ou só uma determinada informação, então uma maioria agirá condicionada por essa informação e temos uma sociedade tipo pedra. Um caso de estudo típico é a Madeira. No entanto em maior ou menor escala estamos todos condicionados pela informação que nos chega. Infelizmente muitos consomem a informação de forma acrítica, deixam-se levar pela maioria ou pela emoção abstendo-se assim do racional. A eles chamamos ignorantes e àqueles que exploram esta condição, chamamos manipuladores. Um existe porque o outro existe e o ciclo parece vicioso. A liberdade de informação é o mais precioso bem a preservar em democracia. Hoje seja como a água, escute uma música diferente, leia os princípios do PAN, e vá por outro caminho para casa.

Rui Almeida, Presidente do PAN-Madeira