Juvenal Pereira - Já ando há meses numa canseira sem igual procurando saber porque razão já não se faz o novo hospital. - E ainda não tiveste quem te desse uma explicação? - É verdade que não. - Desculpa lá, mas tens sido pateta, se tivesses vindo comigo há muito que tinhas a resposta certa. - Mas conheces a razão? - Claro, é fácil a explicação. O nosso Joãozinho além de político destacado, professor e advogado é médico neurocirurgião. - Neurocirurgião? Não achas que estás fazendo confusão? - Claro que não. E podes crer que é muito competente. Ele é que tem "feito" a cabeça à maioria desta gente! - Agora, entendo… - Ah, e não só em Portugal, como já tem fama internacional. Em Estrasburgo e Bruxelas tem feito milagres tanto na cabeça deles como nas delas. -Joãozinho, neurocirurgião, olha que essa não me passava pela cabeça, não! E tal tem sido o seu sucesso no nosso continente? - Não tão bem (quanto desejaria) ultimamente. Há dias li, algures, num matutino, ele tentou moldar a cabeça dum tal Sr. José Socretino e a operação não correu de feição. O rapaz parece ter uma veia a mais, as ligações cerebrais de tal ordem destrambelhadas que o nosso joãozinho não conseguiu ali fazer nada. Já tentou várias vezes, perdeu um tempo infinito, mas a cabeça de Socretino é um caso perdido! - Pelo que se viu, desistiu. Mas… afinal, se é médico algo me parece estar mal. Porque raio deixou ele de fazer o novo hospital? Ele, melhor do que nós, sabe que aquele que existe, está velho, caduco, impróprio, todo mal. -Pois, mas também como politico com responsabilidades na região, ele, melhor do que nós, sabe quais as maiores necessidades da população. Um povo que está cada vez pior a viver, que já lhe falta dinheiro para calçar, vestir e comer, que vê o desemprego a crescer, tem carro mas já lhe custa abastecer, o apartamento por não poder pagar a ter que entregar e mais e mais que não vale a pena aqui enumerar, um hospital- neste contexto, nesta realidade - não é uma prioridade. - Realmente é verdade. Talvez a construção de uns dois ou três manicómios seja de maior utilidade. - Exactamente. Finalmente encontro alguém que compreende o presidente! Bolas, já não era sem tempo!