Pedro Miguel Monteiro de Araújo Não pretendo discutir ou colocar em causa a qualidade dos projectos nem a forma como decorreu a discussão pública porque é obvio que a população em geral e outras entidades não têm qualquer hipotese de apresentar alternativas técnicas devidamente fundamentadas a projectos que custaram mais de 1,5 milhões de euros aos contribuintes em apenas 30 dias. Nesta altura e ultrapassada a "não discussão pública" (uma aberração da legislação Portuguesa) importa analisar as consequências destas obras que se pretende realizar na frente mar e na foz das Ribeiras do Funchal durante mais de dois anos. Assim em meu entender o Funchal e a nossa principal e cada vez mais, a unica actividade económica do Arquipelago da Madeira, o Turismo, não aguenta dois anos de obras na frente mar do Funchal. O caos será total, o mar da Baia do Funchal apresentar-se-á castanho durante os dois anos de obra, os riscos da obra ficar a meio é elevadissimo (falta de dinheiro ou um 20 de Fevereiro durante as obras) e o desperdicio de mais de 84,6 milhões de euros da lei de meios será uma realidade. A minha sugestão é o aproveitamento das verbas da Lei de meios para o efectivo reordenamento do território da R.A.M que está praticamente abandonado desde 1996, até porque basta um novo 20 de Fevereiro (que irá acontecer novamente mais ano menos ano e não é preciso ser advinho) para que todas estas obras que se prevê executar sejam literalmente arrasadas. Para não dizerem que não se avança com ideias alternativas, aqui está uma, muito abrangente que considero arrojada, ambiciosa e económica mas que exige trabalho, determinação, honestidade e competência. Utilizar as verbas da Lei de Meios para adiquirir os milhares de fogos que estão a venda na Madeira, para permutar com proprietários de terrenos e de casas que se encontram implantadas em zonas de risco, em terrenos muito inclinados, escorregadios e em leitos de Ribeiras. Esta medida resolvia de uma assentada diversos problemas: 1. Habitação condigna para milhares de pessoas que vivem em zonas altas e fora dos perimetros urbanos; 2. Problemas de falências de promotores imobiliários que não conseguem vender os apartamentos construidos; 3. Pagamentos aos bancos dos empréstimos contraidos pelos promotores imobiliários; 4. Ordenamento do território com a retirada de populações de zonas de risco e leitos de Ribeiras. Quanto ao aterro as obras deveriam ser imediatas mas limitadas a arranjo paisagistico, deixando obras de grande vulto para outra oportunidade. Desta forma a "côr" do mar recuperava, o aspecto da frente mar era imediatamente recuperado e o Turismo não se ressentia. O avançar com as obras previstas (em vez de utilizar a Lei de Meios para retirar as populações das zonas de risco) exigirá aos politicos o assumir das responssabilidades, caso aconteça mais um 20 de Fevereiro e caso o Turismo da Madeira sofra mais uma enorme crise como a de 2010.