A decisão do Governo da República de cortar nos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas que aufiram 600 euros, ou mais, é uma daquelas medidas que roçam o escandaloso e ofensivo. Como é que se pode atacar os parcos rendimentos de um trabalhador que ganhe 600 euros, cujos filhos já não têm direito a abono de família, quando há ministros e secretários de Estado de recebem subsídios de largos milhares de euros por trabalharem fora do seu distrito? É legítimo que se congelem pensões de 283 euros quando, na Madeira, os Presidentes do Governo e do Parlamento levam para casa 12 mil euros por mês?! É caso para afirmar que os trabalhadores deste país estão, cada vez mais, escravizados "e mal pagos"! A fúria privatizadora chegou à Madeira. Após anunciar a privatização da empresa Horários do Funchal, eis que o Governo Regional já aponta para a privatização da empresa Electricidade da Madeira. Curiosamente, duas empresas que, bem geridas, podem ser muito lucrativas. Por isso mesmo, é preciso entregá-las a um qualquer tubarão do regime para sugar 'até ao tutano' aquilo que é público. Apetece parafrasear o grande José Saramago e dizer-lhes: "Privatizem a puta que os pariu"! Não sou crente mas gosto do Natal! Dos presépios, das luzes, dos serões em família e do esforço que as pessoas fazem para serem melhores. É bonita a história bíblica do nascimento de um menino, numa manjedoura, que se fez deus. Mas para mim, infelizmente, é só uma história bonita. Gostava de estar enganado e de acreditar num salvador qualquer que nos ajudasse a resolver os problemas gravíssimos do nosso tempo. Mas como não acredito, nem sequer no Pai Natal, faço votos para que nesta Festa, e nos restantes dias do ano, não existam pessoas a passar fome e necessidades. Esse sim, seria o verdadeiro milagre do Natal! Vamos dar o nosso contributo para que esse objectivo fique mais próximo. Boas Festas!
Roberto Almada - Coordenador do BE-M