Artur Luís Janeiro Brandão Está bonito, está! É muito fácil constatar em dias que temos navios de cruzeiros atracados no porto, e que supostamente seria um bom dia para o negócio, ver o comércio no centro do Funchal quase sempre às moscas. Agora uma solução coerente e justa para resolver este problema saída da secretaria que tutela o sector, não vai acontecer, porque existe ali alguma protecção aos 'lobbies' e também parece evidente existir alguma falta de jeito. Agora na figura do senhor presidente da Câmara Municipal do Funchal, Dr. Miguel Albuquerque, existem algumas boas expectativas, porque sabemos se vossa excelência quiser, vai conseguir travar esta desertificação do coração da cidade. Até porque o senhor também não está isento de culpas! A sua vereação camarária, fazendo fé numa série de argumentos, retirou do centro do Funchal tudo o que eram autocarros e afastou os madeirenses para a Avenida do Mar e periferia. Mas entretanto permite que as duas companhias de autocarros panorâmicos a operar com o turismo, possam circular livremente nas ruas do centro da cidade da forma que muito bem lhes apetece. Hora a hora quando o turismo é pouco, de 5 em 5 minutos quando é muito. O que toda a gente já percebeu, mas que ninguém quer resolver é que enquanto esta situação se mantiver, o comércio do centro vai continuar a ver navios! Isto é claramente a Madeira no seu melhor, para se protegerem os 'lobbies' deixam-se dezenas de lojas e restaurantes a agonizar. Estes autocarros foram a machadada final nas aspirações destes negócios, e como tal deviam de ser totalmente proibidos de circular no centro da cidade, para "obrigar" a que as pessoas possam circular livremente a pé por onde muito bem lhes apetecer. Este turismo leva uma má imagem da Madeira, só vê as vistas e anda de autocarro, porque na ânsia desmedida dos lucros da meia dúzia do costume ninguém de direito se apercebe que este turismo não visita aquilo que temos de melhor. Este turismo não visita os nossos parques e jardins, não visita as nossas ruas e praças, não visita os nossos museus, as nossas riquíssimas igrejas, não visita os nossos monumentos, não se apercebe da riqueza da nossa cultura, do nosso folclore, do nosso artesanato, da nossa gastronomia, do nosso bordado, dos nossos vinhos, muito menos entra em lojas ou restaurantes. Então é isto que se quer para o turismo da Madeira? E o Sr. Dr. Miguel Albuquerque como responsável máximo da cidade não se incomoda com isto? Ou desconhecia que se tinha chegado a este caos? Então agora, como já sabe, faça valer as suas competências, chegou a hora de defender os interesses dos seus munícipes, e dizer a estes senhores que era muito bom, mas acabou-se.