João Barreta Há cerca de década e meia que acompanho a evolução do sector do Comércio e Serviços, suas dinâmicas e, também, as suas faltas. Trata-se de um sector económico cuja importância é relevante ao ponto de construir cidade, contribuir para o crescimento económico, aumentar o emprego, etc., etc. Ciclicamente, ano após ano, tem lugar cativo na nossa imprensa, por motivos tão pobres e diversos como as iluminações de Natal, os saldos, os horários de funcionamento e agora, pasme-se, a(s) crise(s) ! Não me espanta, pois, que cada vez mais seja relegado para segundo (ou terceiro !) plano, facto que transparece na ação (ou melhor, na falta dela!) inclusive ao nível da Administração (leia-se, Governo, Administração Central, Administração Local, etc.). Em tempos idos, exultava-se o Comércio (embora o apelidassem de tradicional), abordando a questão do urbanismo comercial, de potenciais centros comercias a céu aberto e da gestão dos centros urbanos, da revitalização e animação comercial das baixas /rua direita, dos mercados municipais, das feiras, do comércio em contexto rural, enfim o tema, ainda, fazia… assunto. Acredito que há muitas formas de lhe pegar e assim tentar, no mínimo, chamar a atenção de quem de direito para a importância do setor e suas múltiplas potencialidades. Será tempo de deixar de ver o comércio como o sector secundarizado ou mesmo parente pobre da Economia. Estude-se o que se estudar, perspetive-se o que se perspetivar, prospetive-se o que se prospetivar, mesmo que agora se tenha introduzido na "agenda" a questão da Terra e do Mar, será bom não descurar o papel do Comércio e dos Serviços, pois com tal setor fraquejado, ressentir-se-ão, ainda mais, a Indústria, a Agricultura, as Pescas, o Turismo, a Cultura, etc. Bem mais de cem dias passados e sem eco de palavras sobre o sector do Comércio e Serviços, será o momento de cometer o abuso de sugerir, a quem enfiar a carapuça, a leitura de obras /textos de Pessoa (pasme-se, de 1926 !), sobre a "Essência do Comércio", para que possam começar (nunca é tarde !) a familiarizar-se um pouco mais com o tema! Apesar de Pessoa não o referir explicitamente, a incompetência terá várias curas. Se noutro tempo se "eliminava" o mensageiro, agora já não se deverá ser tão radical, até porque ainda não conseguimos, sequer, captar (…) a mensagem.