Lídia Neves Em pleno rescaldo das cinzas devastadoras, soltam-se críticas, casos e soluções. Umas sonantes e vistosas, se forem negativas ou provierem de fontes mais altas. Outras mais simples e sem eco, se forem positivas ou de origem humilde. Pois eu quero trazer hoje o eco e o agradecimento pelo gesto que nesta semana presenciei numa festa realizada no vale de Machico, em que a comissão organizadora decidiu suspender o tradicional lançamento de girândolas e de qualquer outra espécie de foguetes. Motivo? Explica a comissão:"por solidariedade com os lesados nos incêndios que destruíram 11% da floresta madeirense". Objectivo? "Promover a educação cívica e ambiental da população". Em qualquer circunstância este gesto adquire um valor digno de registo, mas com maior acento perante as polémicas que neste verão surgiram em Machico a propósito de fogos e fachos. Gostei de ouvir, no recinto de festas, este axioma tão empírico quanto científico, sobre incêndios:"a melhor forma de apagá-los é evitá-los". Não terá sido por acaso que neste verão as serras da Ribeira Seca em Machico ficaram livres dos habituais incêndios da época. Mais que a ausência de fogo, contou o ânimo, a sensibilidade, o gesto. Está de parabéns a população da Ribeira Seca, bem como o seu responsável, Pe. Martins Júnior. Imagino a coragem e a pedagogia que foram necessárias para fazer tal opção, mas fica o exemplo da única paróquia na Madeira a assumi-la, respeitando as orientações das autoridades florestais da RAM. Belo exemplo para pequenos e grandes. O papel dos responsáveis e educadores do povo deverá ser elevar a cultura das populações em vez de nivelá-las por baixo. As vantagens são múltiplas. A prova é que, para quem lá esteve como eu, a festa foi amplamente participada e aplaudida.