Maria Fernanda Barroca De 16 a 19 deste mês o Santo Padre Bento XVI desloca-se em viagem de Estado ao Reino Unido a convite da Rainha Isabel. João Paulo II já lá estivera em 1982, mas em visita particular, e com ela marcou o restabelecimento completo das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Reino Unido. O Santo Padre escolheu para lema da sua visita: Cor ad cor loquitur (O coração fala ao coração). Este foi o lema do Cardeal Newman, que o Santo Padre beatificará no dia 19. O anúncio desta beatificação começou logo a levantar polémicas pois quer os liberais quer os conservadores querem chamá-la a si, penso que não me engano ao dizer que por motivos políticos. A comunidade católica do Reino Unido tem mostrado entusiasmo na preparação desta visita, se bem que alguma comunicação social, digo eu, de segunda categoria, queira fazer crer que os britânicos olham com indiferença para a visita. O Presidente da Conferência Episcopal, Arcebispo Vicent Nichols quer "que a visita sirva para despertar uma nova vitalidade espiritual (…)". Parece-nos que estas palavras querem fazer referência às inúmeras conversões de anglicanos para a Igreja Católica. A causa desta clivagem no seio da Igreja Anglicana, deve-se em boa parte, por grande número de membros da hierarquia anglicana à ordenação de mulheres já consumada e pela tentativa recente de elevar ao episcopado algumas das mulheres ordenadas. Aquilo que parecia aos anglicanos ser a solução para a falta de sacerdotes, redundou num fracasso - numerosos bispos e sacerdotes anglicanos assinaram uma declaração em como aceitavam a plena autoridade da Igreja Católica Romana. Alguns sacerdotes anglicanos contrários à ordenação de mulheres, manifestam o desejo que o seu funeral seja presidido por um sacerdote varão. Outros chegam a trazer consigo um cartão que diz: "Em caso de acidente ou numa emergência que necessite a assistência de um sacerdote, por favor, avisem um sacerdote varão", isto porque algumas capelanias estão entregues a sacerdotisas. Os britânicos têm na sua génese o saber receber bem. Estou certa que com Bento XVI se vai passar isso mesmo. Não só por convicção, mas porque o Papa tem-se mostrado extremamente afável no convívio com as pessoas. Quem quer opor o saudoso e querido Papa João Paulo II a Bento XVI, está a perder o tempo: dois temperamentos, dois modos de ser: o primeiro um desportista, o segundo um artista. João Paulo II, enquanto pôde, levava para férias os esquis; Bento XVI, quis no local de férias um piano! Mas ambos uns santos e os homens certos para cada uma das épocas em que viveram, isto porque a sua eleição não se faz de braço no ar, nem por partidos, mas por inspiração do Espírito Santo.