Quando as férias se prolongam fora de casa, por melhor que sejam, começamos a sentir alguma saudade de voltar ao nosso canto habitual, à terra que gostamos e onde vivemos há quase 40 anos. Desde que o "Armas" começou a operar, temos optado por este meio de transporte, à semelhança das centenas de pessoas que vinham a bordo. Foi numa manhã clara e calma que no fim de Agosto começamos a avistar a Madeira. À medida que nos aproximávamos a amurada foi ficando cheia, para residentes e turistas poderem desfrutar a tão propagandeada maravilhosa paisagem. Infelizmente começámos a ver uma imensa coluna de fumo que toldava o horizonte, e logo identificámos a meia serra a arder. Depois foi a desolação. O recorte verde das serras no azul do céu que a baía nos oferece, transformou-se numa enorme mancha castanha, sem brilho. Imaginamos o horror que deve ter sido o Funchal envolto em chamas e constatámos nos rostos daqueles que pela primeira vez visitavam a Ilha, a desolação. Dias mais tarde, deslocámo-nos ao Terreiro da Luta e tudo o que então era verde, mais parece hoje uma pintura a carvão. Não é preciso ser perita nas questões ambientais para sabermos que em época estival há riscos de incêndios. Por isso não podemos deixar de notar alguma negligência na protecção da nossa floresta. Perdemos grande parte do que a Madeira tem para oferecer, a Laurissilva, as veredas, os passeios na serra. As terras estão desprotegidas e o perigo avizinha-se com as primeiras chuvas. Já foram noticiados os milhões que se vão gastar na reflorestação, mas não teria sido mais proveitoso o esforço preventivo de uma vigilância eficaz para salvar o nosso território? A natureza quando actua não avisa. Mas não será tarefa dos nossos governantes prevenir? E o mais interessante é que as reacções são idênticas às de 20 de Fevereiro. As culpas são sempre externas e o rol de insultos dispara para quem, com a sua sabedoria quer dar o seu contributo. Estamos perante mais um revés para o turismo e para a nossa economia, depois da destruição que em poucos dias devastou o que levou anos a construir. Estamos a caminhar a passos largos para um colapso. Com mais de trinta anos com o mesmo executivo, este está gasto, sem soluções, sem criatividade e sem meios. Criou-se uma teia de interesses à volta de um poder centralizado. Sem estratégia e sem rumo, vai reagindo apenas aos acontecimentos. É hora de pensar se não haverá outras pessoas válidas, que saibam, com êxito, conduzir os destinos da Região, senão os que se eternizam neste governo. Com o compadrio instalado e os concursos sempre para os mesmos grupos económicos, obrigam empresários a abandonar a Região. Na sociedade madeirense não faltam quadros competentes, com projectos de futuro, mas só não dão a cara no contexto actual, receando represálias. O povo que tem vindo a sufragar o mesmo regime em sucessivos actos eleitorais, é aquele a quem lhe foi retirada a possibilidade de aquisição de uma cultura crítica de intervenção cívica. Por isso há que convergir esforços e encontrar plataformas de entendimento. O que o PS pretende é a defesa da Democracia e dos Princípios Constitucionais que todos os partidos defendem, sem desvirtuar as ideologias de cada um. A maioria instalada está a tentar bloquear e desvirtuar, chamando a esta iniciativa coligação. O que se pretende é encontrar as soluções para os problemas do desemprego, da pobreza, da crise profunda de muitas famílias. Encontrar uma alternativa a este regime é uma responsabilidade dos Partidos e não só. De todos os cidadãos!

Isabel Sena Lino