Miguel Ângelo Lembro-me daquele passado recente, mais precisamente o 20 de Fevereiro de 2010. Onde a tragédia aconteceu sobre a nossa ilha, mágoas, angústias, tristezas, olhos que ainda hoje querem falar, mas são abafados por um silêncio infinito, derramados de dor e sofrimento por tudo aquilo que perderam. Hoje, muitos deles ainda não têm aquilo que era seu, o tempo vai passando e algo prometido não foi comprido. No interior da nossa ilha, ainda existe muitas lacunas por preencher sobre esta catástrofe que nos abalou. Veio Agosto ,o mês quente, do calor, de entrar nas águas mornas e se refrescar, apanhando um saboroso sol que aquecia sem cessar. Enquanto isto acontecia, a nossa floresta ardia sem controle, chamas de terror que fazia dor. Os bombeiros e particulares lutaram até ao fim, esgotando as suas forças porque o fogo era bravo em toda a ilha. E quando a chuva cair? Meus caros leitores, será que vai vir mansa ou brusca, repentina ou suave? Isso é que não sei. Só sei se vier contínua e brusca, acompanhada de rajadas de vento, teremos mais um 20 de Fevereiro de 2010 à porta. Porque todo o pinheiral ardido vai descer por entre ribeiras e ribeiros tornando-se assim numa catástrofe igual ou pior há já vivida. É um caso para reflectir.